terça-feira, 21 de outubro de 2008

Contrição


(Imagem da Net)

Fui calema...
Embalo do meu corpo húmido
na ondulação dos teus cabelos...

Fui poema...
Arrepio de meu seio túmido
na geografia dos teus pêlos...

Sou problema...
Frenesim do meu sonho carcomido
no eco surdo dos teus apelos...



5 comentários:

Paulo Viana disse...

Gosto da poesia curta, principalmente com musicalidade na forma e no conteúdo. Sua sensibilidade chamou-me a atenção(O Bolero de Ravel é uma música que escraviza os espíritos sensíveis). Gostaria de saber qual a sua opinião sobre meu texto: As Mulheres e o Romantismo. Meu Blog: paulovianabezerra.blogspot.com.

Isabel Branco disse...

Paulo

O Bolero de Ravel é a expressão máxima do triunfalismo, do arrebatamento e da libertação. Ao rufar frenético dos tambores soltam-se os espíritos numa dança comum, numa espécie de transe...

Deixei o meu comentário sobre o seu texto, que transcrevo aqui também:

Sempre houve e haverá romantismo, quer feminino, quer masculino. Uns mais, outros menos. Porém, existe uma enorme vergonha e um medo atroz de demonstrar sentimentos. Talvez porque normalmente somos traídos pelos mesmos. Mas, quando na massa do sangue pulsa, em qualquer situação, uma inesgotável ânsia de mudar as coisas, nada nem ninguém poderá alterar essa forma de pensar. Embora, isso faça de nós solitários entre a multidão, creio que somos muito mais felizes assim. A vida vivida com emoção é muito mais interessante e retributiva. Não sei se será o caminho para a felicidade mas que, vale a pena vivê-la emotiva e amigavelmente, lá isso vale. A maioria das pessoas, hoje em dia, é mais prática, fútil e consumista. O imaginário do principe encantado, do belo, do divino, do que nos possa fazer pensar no mistério da existência, do possível e do impossível, a poesia, a magia e o encanto, tudo isso considerado ultrapassado e "demodé". O que funciona é o lucro, inclusive na amizade. Mas haverá lucro melhor que a auto estima??? Será as pessoas gostam de si próprias, ou pelo indagam as próprias consciências a respeito???

Um abraço

Isabel Branco

Paulo Viana disse...

Grato pelo comentário que confirma a sua inteligência e sensibilidade. Concordo com o que dizes sobre o Bolero e acrescentaria ser uma melodia que parece contar uma história já escrita em nossa alma.
Um abraço

Lino disse...

Isabel amiga, trata-se de um belíssimo espaço cultural, estás de merecidos parabéns.
Porém, preciso fazer uma observação:
No gentil convite para o lançamento do "Neves e Sousa - Pintor Angolano", aquela gravura não lhe pertence. Mas, bem sei, é utilizada na melhor das intenções.
Um fraterno abraço.
Lino

Isabel Branco disse...

Lino

Grata pela observação. Também me foi enviada como sendo de Neves e Sousa e, aliás, fazendo parte dum PPS sobre este pintor. Mas ainda bem, que a atenção dos amigos pode reparar estes danos. Vou tentar substituir a mesma por uma obra do autor, pois o seu a seu dono é justo e deve ser respeitado.
Obrigada e um beijinho,

Isabel Branco