
(Postal antigo de Paris - Imagem da Net)
Finais do mês de Dezembro,
dum ano qualquer já distante.
Subindo os imponentes Pirinéus,
escandalosamente brancos
do nevão intenso que os cobria,
ainda hoje, me lembro
da minha alma confiante
admirando os vastos e claros céus
que de azuis se reflectiam nos flancos
das encostas, ao frio que fazia.
Nos cambiantes de gloriosa luz,
sem a tua amada presença,
teu olhar risonho ressurgia,
com o gelo que nele reluz
como jamais poderei esquecer,
no beijo que, numa crença,
a boca sedenta calorosamente pedia
para nesse Inverno me aquecer.
Na brutalidade gelada, em Paz de La Casa,
em Andorra, só, mas serena,
nessa noite, cansada adormecia.
Estávamos em países distantes,
mas o sonho tinha asa
e, em teu peito, amena,
minha saudade dormia
no doce conforto dos amantes.
Estrada de Brive...
Finalmente Paris...
Outra noite acontecia.
Passagem de ano e, que encanto,
que deslumbramento tive:
o luxo, a côr, as sedas, as peles, o verniz,
em cascatas luminosas se viam
pelas ruas, em qualquer canto.
E, no entanto, eu, sozinha,
vendo a multidão divertida,
dentro do carro comemorei
as badaladas da meia-noite em festa.
Imaginei-me, a teu lado, quentinha,
por teus braços aquecida
e, nesse deleite me abandonei.
E, esta... é a lembrança que, de Paris, me resta.
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