quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Névoas


(Imagem da Net)



Esta cumplicidade entre o rio e o nevoeiro
que me aparta e ausenta de sentir,
esta mórbida humidade
que se entranha nos ossos
e me impossibilita de agir,
esta nostálgica invernia
que me definha lenta
e me faz querer dormir
porque teima em persistir
e dominar-me por inteiro???
Cobre-se de luto a cidade
sob o manto da densa neblina!
Agasalho-me escondendo as mãos nos bolsos
e respiro esta melancolia
parda, feia, fria, cinzenta
de que me apetece fugir.
Anseio o sol e seu beijo fagueiro.


8 comentários:

Vivian disse...

...Névoas sim...
mas não névoas suficientes
para roubar-lhe a inspiração
da poesia.

amei estar aqui.

bjs calorentos desde o Brasil

Isabel Branco disse...

Vivian

Grata por sua visita.Volte sempre.
Embora não me roube totalmente a imaginação, o mau tempo e "as névoas" condicionam muito meu estado de espírito.
Visitei agora o seu blog, gostei e aceitei seu selo. Voltarei.

Um beijinho.

david santos disse...

Brilhante!!!!
Estas névoas são naturais e lindas.
Não vieram para nos enevoar embora tenhamos muitas mentes enevoadas.
Mais uma vez, brilhante!!!!!!!!!!

Isabel Branco disse...

David

Bem vindo e grata pela visita e opinião.
Passei pelo seu "Só Verdades" que me cativou e sobre a verdade apeteceu-me transcrever esta belíssima citação:

"Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol, e perguntava como era este às pessoas que enxergavam. Alguém lhe disse: O sol é como uma bandeja de latão. O cego bateu na bandeja de latão e ouviu o som. Depois,quando ouviu um sino,pensou que fosse o sol. Outra vez,disse-lhe alguém: o sol é como uma vela. O cego apalpou uma vela, e pensou que assim era o formato do sol. A verdade é mais difícil de descrever que o sol; e quando os homens não a conhecem,são exatamente como o cego. Ainda que façais o possível para esclarecê-la por meio de comparações e exemplos,ela ficará tão confusa como a comparação da bandeja de latão e da vela."(Frases e Pensamentos de Su Tungp’o)Mensagem sobre Verdade

Um abraço

Isabel Branco disse...

A título de curiosidade:

Su Tung-po, nascido em 1036, foi um famoso poeta chinês, também chamado Su Shih. Nasceu na província de hoje Sichuan, oriundo duma família de literatos. Durante a Dinastia Sung, escreveu muito poemas simples baseados na Filosofia Budista. Teve vários cargos oficiais, passando a presidente do conselho de ritos (que regulava imperial cerimônias e culto) e desenhou parques em torno do Lago Si em Hangzhou. Cinco imperadores estiveram no trono durante a sua vida.
A sua poesia e arte foram inspirados pelo Taoísmo e Budismo, embora as suas opiniões políticas fossem fundados na filosofia confucionista. É considerado o maior poeta da dinastia Sung. É também conhecido pelos seus poemas satíricos que abordam verso livre, e também por muitas cartas e ensaios. Embora o que escreveu tenha sido censurado e mesmo destruído, o seu génio nunca foi reprimido. A sua poesia e redacção foram reimpressos, estudadas, e apreciadas por gerações desde então. Os seus versos satíricos e de oposição às políticas oficiais fizeram-no perder o seu estatuto, o que resultou na sua prisão por 12 vezes até ser exilado.
A sua tumultuada carreira teve início por volta de 1079, quando escreveu uma poesia satírica sobre as novas políticas promovidas pelo Primeiro-Ministro Wang An-Shih, que furioso o mandou prender. Preso e depois liberto foi,no ano seguinte, banido para Huang-Chou no sul do Sertão. Esta foi a grande viragem da sua vida. Se antes, era um Su livre e depersonalidade espirituosa, com uma poesia cheia de visão e energia depois de banido começou a refletir sobre a beleza da natureza e do significado da vida. No exílio, gozava dos simples prazeres da agricultura e da escrita, com a alegria que tinha para oferecer. De facto, muitas de suas obras mais populares foram escritas na época. Embora mais tarde tenha sido perdoado, nunca esteve longe de polêmica. Já velho foi afastado para Hainan Island, no Mar da China Meridional. Isto apenas o iluminou mais. Embora novamente libertado não regressou ao tribunal morrendo na viagem.

manzas disse...

Lá fora chove o calado momento
Que repassa na alma, ansiedades…
Saltam inquietas chamas de dentro
Do meu peito, alagadas saudades

Um fim-de-semana ensopado
De paz e harmonia…
De coração ornamentado
De muita alegria

O eterno abraço…

-Manzas-

Isabel Branco disse...

Manzas

Chega de chuva, haja sol
para nosso contentamento.
Um sorriso de girassol
esvoaça apesar do frio vento...

Bom fim de semana e um beijinho.

entremares disse...

A inspiração por vezes, também é uma névoa...
Vem sorrateira, sem aviso, desliza-nos por entre os dedos e assalta-nos o espírito, como o nevoeiro de uma manhão de inverno...

A inspiração é uma névoa branca.
Sem forma.
Esticamos a mão e só sentimos o vazio. Podemos vê-la, podemos até falar dela, mas não a conseguimos segurar, adiar ou antecipar.

Como a névoa, tem um tempo certo para aparecer.

Não concorda ?