domingo, 25 de agosto de 2013

Carta d´Amor



Deu-me a saudade…
Bateu tão forte que doeu.
Na ausência da verdade
Minha alma gemeu!

Li, reli e sofri, páginas
que o coração escreveu…
Amor, nem imaginas
a saudade que me deu.

Lágrimas tristes rolaram
pelo tanto que aconteceu…
Meus olhos os teus lembraram.

Meu corpo estremeceu!…
Dois seres que se amaram
e que a distância venceu!…


Isabel Branco


Embalo a Luz da Cidade





Embalo a luz ambígua da cidade
no cheiro longínquo da maré,
na tristeza dos rostos descobertos
alheados que nela se passeiam,
no fricote, no zumzum, no banzé,
das buzinas enraivecidas...
Capto-a no cais da saudade
das almas que chegam...
Sinto-a nos corpos deambulantes
que se agitam e partem!
Prende-se a mim...rios de pranto, livros abertos
cartas, recados de amor, por escrever,
nas garridas telas que imagino,
que armazeno e não pinto.

Embalo a luz mortiça da cidade
lusco-fusco num agora presente
num estar doído... ausente,
num ser sem ser...ainda por conhecer...
Abraço lugares que me chateiam
pela teimosia, num finca-pé...
Entre camas de corpos delirantes
fogem pela janela os sonhos libertos,
voam pássaros ao adormecer...
Não principio, não acabo, não origino
apenas continuo e continuando minto
como o sol que volta todas as manhãs
na sombra das paredes que me cercam!


Isabel Branco


sábado, 24 de agosto de 2013

País em Chamas



Ardem matas,
sargaças acesas...
vivas, devoradas pelas chamas...
por taras, por conveniências,
ardem florestas inteiras em flamas...
ardem seres....ardem almas...

sobram dramas!

Isabel Branco


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Plantei versos...




 Plantei versos,
despontaram poemas,
nasceram livros,
sementes dum eu
enxertado num “tu”
com raízes de mar
e ramos de esperança.
Brotaram primaveris
as azuis flores do amor
e sangraram as acácias
poluídas de guerra e dor.
E fui morte...desespero!
Ao vento me agitei e brami.
Na sedução que me condiz
fui praia... sonho, criança ...
fui mulher, nua, descalça, mãe...
Por condição... fui triste, fui feliz!
Se por palavras minhas m’ escrevi
nas tuas, meu amor, me perdi!
Plantei versos e versus...
E... nos reversos...me encontrei!


Isabel Branco


Sofreguidão




No cume das montanhas
ensaio o voo das águias
na plenitude dum olhar...
Babo-me das carnudas cerejas
que teus lábios me dão a beijar...
E...sôfrega... sinto nas entranhas
a chuva com que me desejas
e sorvo o mel, o sol e fímbrias
de terra fértil a germinar!


Isabel Branco


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Seria o Amor Português; Sem Que Soubesses - Fernando Assis Pacheco






151º Programa: - Fernando Assis Pacheco - Seria o Amor Português; Sem Que Soubesses; -  (Meu: A Cada Recomeço)


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273


ou


http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 13 e 16 de agosto de 2013.



Porque Choram Os Meus Olhos



Porque choram os meus olhos
fontes de mares por navegar?
Lavo-me em prantos tamanhos
sem remos, sem barcos para embarcar…
Serpenteiam-me rios, nascentes
águas dum Agosto por desaguar!
Porque choram os meus olhos
chuvas, lagos de acreditar?
Aporto portos estranhos
na húmida vontade de chorar…
Tomo-me de azuis poentes
na minha praia de encantar,
embalo búzios dolentes
nos sonhos por naufragar!
Choro…estrelas cadentes…
pedaços do meu (a)mar!...

Isabel Branco


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Cordas



Tenho sapatos de corda
nas cordas do meu relógio...
Estico a corda afinadinha
entre as cordas da guitarra...
Salto à corda...volto à infância!
Penduro cordas de esperança,
desfraldadas ao vento
nas cordas dos varais
com as cordas com que me sustento!
Separo as cordas umbilicais
da outra irmã gémea que em mim vive!
Roo a corda... Puxo a corda...
Aperto os cordões à bolsa...
Sinto a corda na garganta...
Pé ante pé, bamboleio na corda bamba...
Ato-me e desato-me nas cordas que me atas.
Entre cordas e mais cordas
perco-me na teoria,
abrem-se-me as estridentes cordas vocais
e, num clique... exausta a mente acorda!


Isabel Branco


A Vida É; Sou Vida; No Cruzar da Vida - José Alberto Monteiro Rodrigues (Zeal)






149º Programa: - José Alberto Monteiro Rodrigues (Zeal) - A Vida É; Sou Vida; No Cruzar da Vida -  (Meu: Gota d´Água)


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273


ou


http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 30 de julho e 2 de agosto de 2013.




sábado, 27 de julho de 2013

Pássaros Sem Ninho




Isto que escrevo,
que não se entende,
enraizada árvore
que me brota do chão da alma,
erva que grassa
e por campos se estende,
não são palavras, nem poemas,
nem desamor, nem dilemas...
mas pássaros sem ninho,
experimentando asas
e alisando penas em desalinho!


Isabel Branco


quarta-feira, 24 de julho de 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

Pena

















Ah! Esta pena com que escrevo,
a pena da infância passada,
esta pena de ter pena,
esta pena de tanto e de nada
que chego a ter pena
de não saber o porquê 
de tanta pena ter!


Isabel Branco

A Cada Recomeço





A cada recomeço uma nova partida,
a cada passo, o abrigo dum abraço,
barco a remos entre oceanos
de velas içadas à fúria dos ventos
rumo ao desconhecido dos meus eus.
A cada chegada uma fonte, uma lágrima,
a cada espelho, o reflexo duma imagem,
ilha de ilusão entre a bruma e a prata
dum beijo de lua ao vagar das ondas
âncora fundeada dos meus ais.
A cada eco disperso uma montanha,
a cada rato parido um pedaço de queijo,
grito liberto na garganta do silêncio
corpos nus, suados, luz em azuis poentes,
laços atados dos meus nós.
A cada sonho, um outro estar,
a cada gesto, um perfume, uma flor,
pássaro à solta no brilho do teu olhar,
lenço aberto num longo adeus
jangada à deriva dos meus jás...


Isabel Branco


sábado, 13 de julho de 2013

De Laranjas e Azuis



Mulher de laranjas e azuis,
de pérolas e missangas
embalo os silêncios que fluis
e chupo o suco das mangas...

E o mar conta-me segredos
em poentes de cores e de ventos!
Solta-me os cabelos, enredos,
gaivota liberta por momentos!

Num murmurar de sedas
teus lábios tocam-me a pele
ateando achas, labaredas,
fogo que nos consome e nos impele.

No agitar manso das ondas
baloiço irreal  meu veleiro
aporto a ilhas redondas
o amor dos amores o primeiro!


Isabel Branco

terça-feira, 9 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

Adeus Vida



 À memória da minha querida e saudosa amiga Nonô, Maria Leonor Borges, que faleceu hoje de manhã! 
Sentidas condolências a toda a família.



Passamos rápidos,
sofridos, no comboio
que a vida nos empresta
até à derradeira viagem!
Somos a passagem,
a dimensão, a aresta,
a coragem, o apoio,
o fruto, a semente,
a cinza que o vento propaga!
Marcamos a imagem
na memória, na saudade
em cada um dos dias vividos!
Depois...adeus vida,
acenamos o lenço branco da partida!
Mas... parte de nós nunca se apaga
no caminho da eternidade!

Até sempre Nonô,


Isabel Branco


terça-feira, 2 de julho de 2013