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sábado, 22 de junho de 2013

À Memória do Meu Pai



Vi-te o rosto, óh morte,
na pálida face do pai que levaste,
no estar ceráceo
do seu corpo desistente,
no odor que exalas entre círios e flores...
Vi-te a foice num esgar,
na roxa frontalidade que me ofertaste,
no gélido silêncio
que me sobra e desconforta
nas vestes das tuas negras cores.
Vi-te o semblante, óh morte,
na rígida mortalha do pai que me roubaste,
nas cinzas que a terra acolhe e o vento espalha,
no manear da tua grande barca, óh barqueira,
na crueza da tua vilania,
no fim, no eterno descansar...
E... eis-me órfã... óh ceifeira,
na indefinível arca do tempo,
na irremediável fome da tua ira
da vida amada daquele
que, de mim, vieste ceifar.
Resta-me, óh morte, perdoar-te
numa infinita saudade,

 na sua única e insubstituível memória...


Isabel Branco


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Agradecimento




Agradecimento:

- Aos nossos amigos dos tempos de Angola, na maioria do Lobito e Nova Lisboa;

- Aos amigos e colegas do meu pai, quer do Banco de Angola, quer do C.F.B., quer da C.G.D.;

- Aos nossos amigos e familiares da África do Sul, Lisboa, S. Pedro do Sul, Tondela, Barrancos, Stº António Cavaleiros e aos também espalhados pelos quatro cantos do mundo;

- Aos vizinhos e amigos das atividades e c...oletividades em que os meus pais participavam;

- A toda a equipa pedagógica que presta apoio à minha irmã;

- Aos meus colegas e amigos da RTP;

- A toda a nossa família;

- Aos profissionais de saúde que, no Hospital Beatriz Ângelo, acompanharam os últimos dias do meu pai;

- Aos meus amigos e poetas aqui do Facebook com quem partilho momentos, amizade e poesia.


Na impossibilidade de responder individualmente a todas as mensagens de condolências que no Facebook, presencial e telefonicamente me deixaram, pela partida terrena do homem de que muito me orgulho ter sido o meu pai, quero agradecer a todos o gesto, o carinho, a força que cada uma delas transmitem a mim e à minha família.


Do fundo do coração um enorme obrigada.

Um beijinho a todos.



Isabel Branco







quarta-feira, 5 de junho de 2013

LUTO



É de dor e luto a minha hora...esta madrugada o meu pai partiu para a sua viagem final depois de meses em grande sofrimento.


A todos os meus e seus amigos e colegas, informo que:

Joao Dos Santos Branco faleceu esta madrugada e que o seu corpo irá para a Igreja de Stº Antº dos Cavaleiros a partir das 16h de hoje. O funeral seguirá amanhã (depois da missa - penso que às 15h30) para o Cemitério de Camarate com cremação às 17h.

Obrigada e um beijinho.

Isabel Branco


terça-feira, 1 de março de 2011

AINDA QUE NÃO TE IMPORTE...




Ainda que não te importe
nunca aceitei ter crescido,
nunca aceitei ter perdido,
nunca aceitei o acontecido,
a vil guerra, a separação…
Nunca aceitei ter partido,
ter chorado, ter sofrido
as malhas da ingratidão!


Não aceito o vazio, a morte,
tão pouco a dor, a solidão,
este ser sem ser, este estar indo,
este silêncio transido
sem verso ou condição.
Não aceito o desvalido,
tal desejo amortecido
sem visto ou passaporte.

Mereci mais e melhor sorte
que uma esfíngica paixão
de gelo em bronze fundido!...
Mereci a senha, o transporte,
dum eternal caminho
ou, de minha mãe, vagindo
este meu inquieto coração
nunca teria nascido.

Ainda que não te importe
pesa-me o tempo vivido
na carapaça de ser forte
com asas de passarinho…
Pelas portas que vou abrindo,
páginas de mão em mão
fogem-me, sem que as recorte,
do tosco livro que escrevinho…

Se chorei, se sofri sorrindo
resta-me a fria indignação
do que teria feito sentido
se teu rosto, teu corpo, teu norte
longe deixasse esquecido
naquela infância suporte,
meu carrossel de emoção
de onde nunca deveria ter saído!...

Isabel Branco


sábado, 7 de agosto de 2010

Limelight - Julio Iglesias e Trio Irakitan!!!



(Baixe o som da Rádio no fim da página para ouvir este video)


Limelight - Julio Iglesias e Trio Irakitan!!!

Clipe com cenas do filme. Limelight, que se passa em Londres, no ano de 1914, às vésperas da I Guerra Mundial. Mas foi filmado no Estados Unidos.Este foi o ano em que Chaplin realizara seu primeiro filme. Calvero (Chaplin), um palhaço de teatro bastante famoso,
mas agora um bêbedo contumaz, salva de tentativa de suicídio uma jovem dançarina chamada Thereza, mas de nome artístico Terry (Claire Bloom). Servindo-lhe de enfermeiro até recobrar a saúde, Calvero ajuda Terry também a recuperar seu amor-próprio e retomar a carreira. Ao fazer isto, também ele retoma sua auto-confiança, mas suas tentativas em novamente atuar são fracassadas.Terry declara que deseja casar-se com Calvero, apesar da diferença de idade entre ambos. Entretanto, ela tinha ajudado um jovem compositor, Neville, que Calvero acredita ser um melhor companheiro para ela. A fim de permitir que o romance entre ambos ocorra, Calvero sai de casa e torna-se uma artista de rua.
Terry agora estrela seu próprio espetáculo e, por acaso,
encontra Calvero, persuadindo-o a voltar aos palcos para
uma apresentação beneficente. Junto ao seu antigo parceiro (Keaton), Calvero realiza uma volta triunfante,
mas sofre um ataque cardíaco e morre, a poucos passos de Terry que, no segundo ato da peça, dança no palco.
O fundo musical, maravilhosamente interpretado po Julio Iglesias, com a linda canção Candijeras e o Trio Irakitan, da mesma forma sensacional, Luzes da Ribalta.
Ribalta, palavra feminina de origem italiana, significa uma fila de luzes à frente do palco, entre o palco de boca e o lugar destinado à orquestra.Limelight e Candijeras são traduções em inglês e espanhol.


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

História de um Amor



Ana Gabriel & Júlio Iglésias - História de un Amor


Para melhor ouvir este video baixe o som da Rádio Nostalgia no final desta página


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Estar...


(Imagem da Net)


Este estar não estando,
este querer inconseguido,
mais forte que a razão
aos poucos me vai consumindo.
Se fugo, se incontida busco,
se a própria essência anulo,
no abismo das memórias
reinventando meu chão,
contrafeita, me confundo
na elegia das nossas histórias.


sábado, 7 de novembro de 2009

Happy Birthday to me



Recebi da Anne Geddes:

Dear Maria Isabel,
There is a special birthday wish waiting for you from annegeddes.com.
Happy Birthday!
===========================================
"We can do no great things - only small things with great love.
"Mother Teresa (1910 - 1997)
===========================================




Recebi do Joe Photo da Webshots




Recebi da Melanie




Recebi da Zélia Nicolodi


entre tantas mensagens de carinho quer no Facebook, quer no Sonico, quer na Sanzalangola, quer na Jóia de África, quer no Mazungue, quer nos mails de casa e do serviço, quer por tlefone e telemóvel, enfim, de todas as formas possíveis.

Obrigada queridos amigos e um grande xi-coração a todos.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aquela Rua...

(Imagem da Net)




Subsiste...
Aquela rua íngreme,
estreitinha...
Escorregadia,
de paralelepípedos alinhados,
alcatifada de lilás
em macios tapetes de jacarandá
que a ladeiam.

Por lá, continuam
os cavaletes espalhados
revelando em quadros
as cores e os génios
de pintores desconhecidos.
Um deles, boina à marujo,
retoca o desenho
dum nu escultural,
que a imaginação lhe dita.

À porta do velho café
lá está o mesmo cego
tocando a gasta concertina.
Empresta ainda a quem passa
na sua melodia
tanto de tristeza como de alegria.

Lá ao cimo, uma escadaria
depois a praça
repleta de pombos
que esvoaçam ao gesto
duma mulher já idosa
apoiada numa bengalinha
que os alimenta do justo milho.
Junto ao candeeiro esguio
vagueia e chafurda
um cão vadio
nos restos dum contentor de lixo.

Insiste...
O ritmo, o frenesim,
o sobe e desce
das vidas que, por ali, se passeiam
gravadas, decalcadas
abstracta, impressionista,
surrealistamente pintadas
nas telas que os artistas
ao pincel e à tinta teimosamente
persistem em roubar.

Existe...
A mesma rua velhinha
que me lembra inteirinha
outro tempo belo e longínquo,
dos meus 20 anos floridos
em que, por mero acaso,
ao som dum acordeão,
foram meus traços cruzados
e o meu olhar impresso
no carvão dum hábil retratista.

Cumpriu-se o meu destino...
Repete-se a situação.
Volto àquela saudosa rua
em que nada mudou
senão o tempo que passou
e os meus olhos agora envelhecidos!


domingo, 1 de fevereiro de 2009

Recado de Paulo Salvador

Caros amigos,

Gostaria de vos comunicar que vou começar já no dia 7 de Fevereiro um programa na Rádio Sim (
http://www.radiosim.pt/) , que pertence à Renascença e se dedica exclusivamente a pessoas acima dos 55 anos. É um projecto interessante. Emite em FM e Onda Média. No site podem ver as frequências.



Mas o que vos quero dizer é que o meu programa chama-se Memórias Africanas e dedica-se a entrevistar pessoas que viveram ou nasceram em África e com elas partilhar as suas memórias e saudades.
Todas as semanas tenho um convidado diferente, que será tb surpreendido com telefonemas de amigos ou pessoas que dele se lembrem. O programa é gravado e como tal estes telefonemas terão de ser tb previamente gravados (depois direi os dias e horas para tal).
O meu primeiro convidado vai ser o Farrica (Emídio), de Sá da Bandeira. Já tenho as pessoas que lhe vão deixar mensagens. Depois terei tb pessoas de outras cidades de Angola.
O que vos queria pedir é que, caso tenham sugestões sobre pessoas a convidar ou queriam participar me avisem. Convidados previstos: António Freire (Rádio Clube Huambo e Benguela), o famoso Quitos, Ondina Teixeira, Sara Chaves, etc. Caso conheçam gente de Moçambique, tb vos peço que me recomendem pessoas.
Para isto é que servem os "amigos", certo?
Passem palavra. Memórias Africanas, todos os Sábados, das 14 às 15 h na Radio Sim (tb pode ser ouvido online) 102.2 fm em Lisboa.

Um abraço,

Paulo Salvador

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O nosso amigo comum do Lobito, Álvaro Pelicano sugeriu: RIBEIRO CRISTÓVÃO e FRANCISCO ANTUNES, vulgo CHICO BAMBA.

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E eu indico dois locutores do Rádio Clube do Huambo (também dos Rádios Clubes de Benguela e da Huíla):

Alexandre Caratão
e Maria Isabel Caratão

e também grande Emídio Rangel
.

A ti, Paulo Salvador o maior sucesso para este programa.

Um beijinho,

Isabel Branco


sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Reencarnação - "Nada Acontece por Acaso"



(Imagem da Net)


Porque "NADA ACONTECE POR ACASO"...

Porque "Existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia (como disse o Hamlet de William Shakespeare)...

Porque também acredito na reencarnação, regressão ou migração das almas (como lhe queiram chamar)...

Porque também já me confrontei com o inquietante "Déjà vu", com factos, sonhos, vozes, presenças, momentos e experiências que o testemunham e me levam a crer nas minhas outras vidas passadas...

Trago-vos este filme "Minha Vida na Outra Vida" com Jane Seymour que (embora longo e dobrado em brasileiro e eu o preferisse na língua original), relata a história recente (1993) e verídica de Jenny Cockell (nascida em 1953 na Inglaterra) que revive e reencarna a vida de outra mulher Mary Sutton (fisionomicamente igualzinha a ela), nascida em Malahide (uma pequena aldeia irlandesa), e falecida em 24 de Outubro de 1932.



Veja em:

http://video.google.com/videoplay?docid=8024879465072943702

Para melhor assistir a este vídeo, desligue o som da Rádio Nostalgia, no final da página e, por se tratar de um filme com 1h e 32 m, aumente a imagem para ecrã total, afaste-se um pouco do computador (a uma distância de mais ou menos um metro) e para que não haja paragens mexa o rato de vez em quando.

E, porque também já escrevi sobre o assunto, deixo outro dos meus poemas escrito em 2007 e publicado no meu livro: "Dez Degraus até ao Sol" in "A Outra Parte de Mim...":


REENCARNAÇÃO


Creio na reencarnação
das almas privilegiadas,
espíritos em libertação
em várias fases abençoadas.

Exemplos de vidas anteriores
que em perpétua evolução
transcendem suas dores
em eterna gravitação.

Surgem na voz dos poetas
e pairando entre os mortais,
sublimes, alcançam suas metas.

De finos véus se cobrem, imortais...
E, renascendo como profetas,
celebrizam seres especiais.



domingo, 4 de janeiro de 2009

Fim de Ano em Paris


(Postal antigo de Paris - Imagem da Net)


Finais do mês de Dezembro,
dum ano qualquer já distante.
Subindo os imponentes Pirinéus,
escandalosamente brancos
do nevão intenso que os cobria,
ainda hoje, me lembro
da minha alma confiante
admirando os vastos e claros céus
que de azuis se reflectiam nos flancos
das encostas, ao frio que fazia.

Nos cambiantes de gloriosa luz,
sem a tua amada presença,
teu olhar risonho ressurgia,
com o gelo que nele reluz
como jamais poderei esquecer,
no beijo que, numa crença,
a boca sedenta calorosamente pedia
para nesse Inverno me aquecer.

Na brutalidade gelada, em Paz de La Casa,
em Andorra, só, mas serena,
nessa noite, cansada adormecia.
Estávamos em países distantes,
mas o sonho tinha asa
e, em teu peito, amena,
minha saudade dormia
no doce conforto dos amantes.

Estrada de Brive...
Finalmente Paris...
Outra noite acontecia.
Passagem de ano e, que encanto,
que deslumbramento tive:
o luxo, a côr, as sedas, as peles, o verniz,
em cascatas luminosas se viam
pelas ruas, em qualquer canto.

E, no entanto, eu, sozinha,
vendo a multidão divertida,
dentro do carro comemorei
as badaladas da meia-noite em festa.
Imaginei-me, a teu lado, quentinha,
por teus braços aquecida
e, nesse deleite me abandonei.
E, esta... é a lembrança que, de Paris, me resta.




(Para melhor ouvir este video, baixe,
ou desligue o som da Rádio Nostalgia, no final da página)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O Comboio da Minha Infância





As rodas gigantes batendo nos carris...
Cutucum...Cutucum... Cutucummm...
Abrandam na chegada à estação.
Dos vagons um cheiro forte de anis,
cana de açúcar transportada
em pilhas para a maceração,
invade o ar. E... tchumm... tchummm...
Espirra água a locomotiva...
E, do comboio quase a parar,
três mocetões negros e robustos
num sorriso enorme e branco,
empoleirados sobre a carga,
reconhecem a menina,
criancita alegre e loira
que no quintal espera
a chegada do kurikutela.
Arremessam-lhe algumas pequenas canas
já costume e promessa,
que ela apanha e sofregamente
mastiga e chupa,
dizendo-lhes adeus
nos bicos dos pés dos seus quatro anos.

Visualiza a bandeira vermelha , depois a verde
Cchummm... chumm...
e, finalmente o comboio parou.

O chefe, homem de convicção,
gorducho, quase careca, bonacheirão
dá as ordens e arruma a questão.

E, a menina loira encantada
abre o grande portão
da casa contínua à estação
Corre... corre...
E, num abraço terno de emoção
lança-se naqueles amados braços
recebendo o beijo do seu avô,
o Branco, Chefe daquela Estação...

........................................

O comboio mala apita ao longe.
Úúúhhh...Úúhhh...
Tchuque... tchuque...tchuque...
Num contínuo tchuca tchuca.
As carruagens apinhadas de gente,
já dormidas em confortáveis bancos
que abertos se transformam em cama,
levam e trazem vidas.

E, entre cada estação,
duma extensa linha ferroviária
uns saem e outros entram,
no meio da confusão,
de variantes e desvios.
Homens, mulheres, crianças de várias raças,
cabeças apenas, no meio da multidão,
lá vão a todo o vapor,
sem se preocuparem com a cor,
todos de mala na mão,
bagagem de vidas vividas
por angolana paixão.

.....................................

À entrada da cidade,
alguns quilómetros antes da estação
brincando felizes no eucaliptal,
sentindo o cheiro da terra,
encostando o ouvido à via férrea,
eu, a criancita loira, já mais crescida,
minha irmã e meus primos, (seus filhos),
nas chegadas e nas partidas
assobiando estridentes apitos
acenando com lenços brancos
no adeus ao maquinista
o meu querido tio Armindo,
dos comboios um grande artista.

..........................................

No som troante da garrá,
no faiscar das fagulhas,
no acertar das agulhas,
veneno no sangue do meu pai
também outrora ferroviário,
apesar da distância,
na recordação do cenário
ainda hoje, saudosa, digo adeus
ao comboio da minha infância.


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Nova Lisboa, a Minha Amada Cidade



Esta é a outra linda cidade da minha vida, de seu nome, Nova Lisboa.
Se o Lobito foi o meu berço, Nova Lisboa foi, é, e será sempre, a cidade predilecta do meu coração.

Parte de mim, ficou lá...a infância, a adolescência, o sonho... mas, o que hoje sou, é em parte, exemplo do que esta cidade também é: lutadora, resistente, sobrevivente e, ainda que massacrada, fénix das cinzas renascida... jardim de rosas raras em teimosa e festiva harmonia.

Amor da minha vida... só tu, Nova Lisboa!





Outro Sol, Outra Idade...


(Imagem da Net)


Ao barulhar colorido das missangas
um sol, cor de sangue,
reflecte-se no fruto doce das quitandas.
E o cheiro... aquele cheiro,
como outro não há igual,
que, depois da chuvada,
se desprende dos cafezais
exala-se no ar, em bênção renovada...

Na lânguida preguiça do sisal
enraíza-se a garra, a intensidade...
Ah! Lá longe, uma queimada,
que o velho embondeiro
solitário observa...

O capim em cinzas derrubado
estruma o pasto
e o incómodo maribondo,
fugido do alto enxame,
persegue o gado,
e zumbe, zumbe desnorteado...

À sombra dum ressequido cajueiro
adormecem os oiros da tarde
entre os azuis poentes de fogo
e solta-se um verso de saudade
do que a memória ainda preserva
doutro tempo, doutra idade...


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Outra Memória




Esta é outra das minhas Igrejas predilectas, uma outra memória da minha infância.

É a Igreja do Bairro de S. João, em Nova Lisboa, onde fiz a minha 1ª comunhão e a Comunhão Solene.

Recordo com muita saudade o Padre Abel, amigo e conselheiro inesquecível e as missas das 7 h da manhã aos Domingos, antes da catequese. Recordar tudo isto é recuar no tempo e situar-me entre os primeiros e verdes anos e voltar a ser aquela menina despreocupada e feliz de outrora.

Quanta saudade...Deus meu, tenho dela e desse tempo!




(A figurinha que nós fazíamos... e os penteados, meu Deus...!)





domingo, 9 de novembro de 2008

Igreja de Nossa Senhora da Arrábida - Lobito


Esta é a Igrejinha de Nossa Senhora da Arrábida - no Lobito




uma das minhas primeiras e mais belas memórias de infância.




Aqui, neste lugar singelo de quietude, paz,




oração e devoção




tendo o mar por horizonte,




casaram meus pais a 15 de Dezembro de 1956,




rodeados de muitos amigos e familiares




e aqui, também eu fui baptizada a 25 de Dezembro de 1957.