sábado, 6 de outubro de 2012

Pássaro Anjo




























Distante? Distraído?
Que te preocupa?
Que te motiva?
Que te impele, ou que te revolta?
Vives...pássaro pousado
na copa verde duma árvore frondosa
ou no alto dum campanário...
Partilhas silencioso o catavento
sem cardeais, sem sul, sem norte,
abstrato de ti, de mim, de nós,
de qualquer rumo, ou de qualquer sorte...
Vives na sombra do vento,
alheio ao mistério, indefeso,
bailando sem ida, sem volta
preso ao feitiço do momento...
Bebes a última gota duma rosa
e sorvendo-lhe o néctar imaginário,
pelos espinhos ferido,
sangras-lhes a seda e a macieza das pétalas...
Foge-te na penumbra, um pensamento!
Mordaz fechas a concha e, calado,
um estranho cansaço rói-te as entranhas.
Nos lábios...um esgar dum sorriso
esfumado na angústia dum cigarro...
Nos olhos...um cintilar de morte
e duas pequenas estrelas apavoradas...
Nesse estar de anjo mau buscas o esquecimento
e... já não há talvez...
Abres os esquálidos braços 
e abraçando o abismo
mergulhas no vazio,
indiferente...ausente...ícaro...
voando na plenitude das tuas asas!


Isabel Branco



terça-feira, 2 de outubro de 2012

Adeus, Fernando...







Ao meu querido e já tão saudoso amigo Fernando José Coutinho Oliveira, 
falecido no dia 1 de outubro de 2012.




Adeus, Fernando...
Che Guevara da minha geração!
As estrelas por ti estão chamando!
Adeus amigo, adeus irmão...

Travaste as batalhas da vida,
guerreiro audaz e destemido
mas terno e meigo na tua lida,
na palavra e na ação tão querido.

Adeus...Fernando,
embondeiro  ao céu erguido,
pássaro livre voando
e à eternidade atrevido!

Isabel Branco



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Desconsolo


















Já nem a poesia me consola

neste País acabrunhado

que, quase nu, pede esmola

por ser por imbecis desgovernado!...


Isabel Branco


terça-feira, 25 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Prefácio de Ecos d´Alma













Prefácio de Ecos d'Alma de Fátima Porto

A poesia de Fátima Porto tem a leveza duma nuvem, o sabor do vento agitando as canas que a maceração transforma em açúcar, o correr manso e romântico das águas límpidas do rio Catumbela que, da roça, o transporta mundo fora, adocicando as bocas, os corações e as mentes.

Nos sons do silêncio, no abrir e fechar das gavetas da memória, no encontro da tinta com a folha branca do papel, no aprazível jogo das palavras e do tempo, perpassa os olhos e os sonhos de menina, a sensualidade felina de mulher, as asas que a imaginação determina, o poder e a magia que se quiser.

Ora cruzando a ponte no comboio da realidade, ora amargando o pó da estrada da vida, esbate a argilosa terra que a viu nascer numa saudade permanente e em cada verso transparece laivos dum sol doirado e quente, praias longínquas de deslumbramento e serenidade a que as emoções se juntam num ritmo crescente de sentimentos e verdade, na inexplicável e terna libertação do ser em forma de poema e ECOS d’ALMA.

Isabel Branco

Lisboa, 10.04.2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Príncipe Sapo





Desejei-te príncipe

saíste-me um sapo.

Verde, feio, frio,

...escorregadio...



Chafurdas nos charcos

parceiro da lua,

saltitando, de folha em folha,

na busca desenfreada

da efémera beleza de lótus...



Tentei o beijo

humilhei os afetos

esqueci o brio...

E nada resultou...

Nada... nada te transformou!



Neste feitiço que me cega

coroei-te...Rei dos Sapos...

e da minha alma também!



Escondes o olhar,

coaxas o silêncio!

Recolhes-te na tua bolha,

enchendo, de moscas, o papo

espreguiçando a pele nua...



Porém, conheço-te de fio a pavio

e, na camuflagem das fotos,

a imagem que vejo

é a dum príncipe que chora...



Isabel Branco

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Poema a giz





Que importa agora a raiz,

o sonho, o inesperado


ou, quiçá, até o combinado



se a eternidade afinal dura tão pouco

e é agora o momento de ser feliz?!

A maré muda, ao vento amainado 

e o local calmo e tranquilo 

com a rede balançando

de repente vira o centro do furacão.

Passado é passado

e o futuro... incógnito, ignorado!...

Escrevo-te, agora, poema a giz

na negra ardósia do instante

que nos torna naquilo

que nos devolve o coração,

pétala rubra fascinante,

no momento oportuno,

ainda que desassossegado.



Isabel Branco









Como Usamos o Nosso Olhar; Os Pescadores - Rúben Correia




 101º Programa - Rúben Correia - DIZER POESIA by MarIsabel Branco 



101º Programa: Rúben Correia - Como Usamos o Nosso Olhar; Os Pescadores; - (Meu_Golo na Baliza da Memória)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia

Transmitido na RDP Internacional a 28 e 31 de agosto de 2012.


Um dia a máscara cai...




A máscara não cai de certos rostos,
deambulantes vis do alheio.
Os vinhos resultam dos mostos,
o carater do berço e do devaneio.

A imaginação,  dom ou talento
abunda-lhes, em efeito contrário,
no zurripiar  fraudulento
básico, infantil e primário!

Mas...um dia a máscara cai
e mostra a sombra que encobre!
Do âmago da alma nada lhes sai
e toda a gente o descobre!...


Isabel Branco



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

37 anos de amargura




Trinta e sete anos de amargura
desde a nossa despedida,
terra, berço, mãe, longura
amor único de toda uma vida…

Esta dor que profunda,
viva, me cava a sepultura,
que argilosa se desprende
e basáltica me encarcera…

Esta saudade que infinda,
triste ainda me murmura,
que planáltica me compreende
e oceânica me desespera…

Prende-se nos rios da memória,
nos desertos do sofrimento
e, nas inquietas areias do tempo,
escreve comigo a minha história.  


Isabel Branco


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

...Porque te amo...

(Foto de Maria Manuela Xu)

…PORQUE TE AMO…

  
Pergunto à ingénua e violeta flor
que envergonhada se esconde…
Pergunto ao inconformado vento
que uivando furioso se afasta…
Pergunto à lua, ao sol, ao mar,
que se entrelaçam em beijos de cor…
Mas…nenhum deles me responde…
… porque te amo, meu amor?!


Isabel Branco