terça-feira, 4 de setembro de 2012

Príncipe Sapo





Desejei-te príncipe

saíste-me um sapo.

Verde, feio, frio,

...escorregadio...



Chafurdas nos charcos

parceiro da lua,

saltitando, de folha em folha,

na busca desenfreada

da efémera beleza de lótus...



Tentei o beijo

humilhei os afetos

esqueci o brio...

E nada resultou...

Nada... nada te transformou!



Neste feitiço que me cega

coroei-te...Rei dos Sapos...

e da minha alma também!



Escondes o olhar,

coaxas o silêncio!

Recolhes-te na tua bolha,

enchendo, de moscas, o papo

espreguiçando a pele nua...



Porém, conheço-te de fio a pavio

e, na camuflagem das fotos,

a imagem que vejo

é a dum príncipe que chora...



Isabel Branco

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Poema a giz





Que importa agora a raiz,

o sonho, o inesperado


ou, quiçá, até o combinado



se a eternidade afinal dura tão pouco

e é agora o momento de ser feliz?!

A maré muda, ao vento amainado 

e o local calmo e tranquilo 

com a rede balançando

de repente vira o centro do furacão.

Passado é passado

e o futuro... incógnito, ignorado!...

Escrevo-te, agora, poema a giz

na negra ardósia do instante

que nos torna naquilo

que nos devolve o coração,

pétala rubra fascinante,

no momento oportuno,

ainda que desassossegado.



Isabel Branco









Como Usamos o Nosso Olhar; Os Pescadores - Rúben Correia




 101º Programa - Rúben Correia - DIZER POESIA by MarIsabel Branco 



101º Programa: Rúben Correia - Como Usamos o Nosso Olhar; Os Pescadores; - (Meu_Golo na Baliza da Memória)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia

Transmitido na RDP Internacional a 28 e 31 de agosto de 2012.


Um dia a máscara cai...




A máscara não cai de certos rostos,
deambulantes vis do alheio.
Os vinhos resultam dos mostos,
o carater do berço e do devaneio.

A imaginação,  dom ou talento
abunda-lhes, em efeito contrário,
no zurripiar  fraudulento
básico, infantil e primário!

Mas...um dia a máscara cai
e mostra a sombra que encobre!
Do âmago da alma nada lhes sai
e toda a gente o descobre!...


Isabel Branco



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

37 anos de amargura




Trinta e sete anos de amargura
desde a nossa despedida,
terra, berço, mãe, longura
amor único de toda uma vida…

Esta dor que profunda,
viva, me cava a sepultura,
que argilosa se desprende
e basáltica me encarcera…

Esta saudade que infinda,
triste ainda me murmura,
que planáltica me compreende
e oceânica me desespera…

Prende-se nos rios da memória,
nos desertos do sofrimento
e, nas inquietas areias do tempo,
escreve comigo a minha história.  


Isabel Branco


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

...Porque te amo...

(Foto de Maria Manuela Xu)

…PORQUE TE AMO…

  
Pergunto à ingénua e violeta flor
que envergonhada se esconde…
Pergunto ao inconformado vento
que uivando furioso se afasta…
Pergunto à lua, ao sol, ao mar,
que se entrelaçam em beijos de cor…
Mas…nenhum deles me responde…
… porque te amo, meu amor?!


Isabel Branco





quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Às Vezes...





Às vezes, canso-me das pessoas e do mundo,
das angústias, dos pontos sem is e até de mim...
Ausento-me da confusão e balbúrdia que me rodeia,
escondo-me na concha dos meus anseios,
mar de vastidão na agonia dum suspiro!
Na bipolaridade das inquietações,
sento-me, leio, medito e viajo
na aragem dum qualquer jardim,
no silêncio onde navego e me afundo,
âncora das horas malditas que calo
escrevendo na memória pedaços do festim
que os abutres devoram... sem intenções!

Às vezes, rio-me das pessoas e do mundo,
da falsa ilusão a que cada um se agarra e, assim...
cada vento é a tempestade que se semeia,
liberto-me das amarras, dos fins e dos meios
das ampulhetas, dos punhais com que me firo.
Solto no sorriso o vendaval de emoções,
abro as portas que fui fechando e ajo
tocando a flauta, ecoando o clarim,
anunciando o quanto de puro ou imundo
pode o pensamento que não falo.
Sem medos, sem vergonha, sem fim
renasço nas cinzas dos meus vulcões!

Isabel Branco

**

Todas as Bibliotecas; Sou Português Aqui; Sobre Uma Imagem de Guerra; Cantiga Felina - José Fanha




98º Programa - José Fanha - DIZER POESIA by MarIsabel Branco


98º Programa: José Fanha_Todas as Bibliotecas; Sou Português Aqui; Sobre Uma Imagem de Guerra; Cantiga Felina; - (Meu_Metaforica(mente)) 

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 7 e 10 de agosto de 2012.


domingo, 1 de julho de 2012

Isabel Branco na "Corda Bamba"



Isabel Branco - uma das autoras
no Lançamento da Coletânea de Contos
"Corda Bamba"

O lançamento da Coletânea de Contos Corda Bamba ocorreu ontem, dia 30, pelas 20.00h, na Fábrica Braço de Prata, um belíssimo espaço dedicado à literatura, à arte e à cultura duma forma geral e situado em Lisboa.





Este livro, editado pela Pastelaria Studios,  reúne estilos muito diversificados 91 autores portugueses, brasileiros e argentinos, entre os quais me encontro com um dos meus contos:  "Um Presente Misterioso" que vos convido a descobrir.



Tem prefácio de Tereza Queiroz, que diz o seguinte:

"Porque quem sente, sempre se sente em (des)equilíbrios (in)sustentados numa bamboleante Corda Bamba, aqui contamos histórias, as reais, as possíveis, as impossíveis e as quase irreais.

As canetas correram, os teclados sofreram dedilhados, as folhas de papel amachucado, e os visores, quase apagados, viveram histórias incontáveis, que se contam ao correr da pena, ao correr dos dedos, ao correr de uma alma que se sente num fôlego ou num suspiro.

Histórias que correm a uma velocidade incontrolável.



Histórias reais, sentidas num fio de tinta, de fio a pavio e esborratadas em vidas sem relatos.

As nossas histórias, as nossas vidas, as histórias deles, as vossas vidas e a vida dos outros.

Realidades manuscritas, manuseadas, elaboradas e manipuladas por quem sabe aquilo que quer contar.

Assim, cozinhámos uma Colectânea recheada de odores agridoces, de sabores metálicos, de suspiros salgados, de doces desencontros e de picantes encontros.

Aceitaram o nosso desafio e contaram-nos tudo aquilo que queríamos ouvir! Foi um grito encorajado para quem escreve sem medo de se deixar cair, sem rede e sem sustento.



Histórias de uma vida qualquer! Na Corda bamba!


Teresa Maria Queiroz"





Mais fotos deste evento em: 


para outras questões ou opiniões:





Leia, divulgue os belos contos que aqui se contam.  
Parabéns a todos os outros autores que, tal como eu, apostaram o seu nome e as suas histórias nesta Coletânea.
Parabéns à Editora, Parabéns à Teresa e Parabéns a todos os que trabalharam para que esta obra nascesse.


ISABEL BRANCO


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