sábado, 2 de junho de 2012

Absurdos...








O absurdo maior,
o maior dos absurdos
não fazia sentido...
Num ápice...agora faz...
Agora joga com o tempo perdido
e inverte qualquer recomeço,
qualquer fim ou dor.
De mal a pior,
a noção, a certeza, a prova,
em  movimentos surdos,
mostram quão incapaz
se articula a vontade
no julgamento da palavra!
A inocência, a verdade, o amor...
Ah!!! Como absurdos pesam 
na balança dos silêncios,
no toque febril dos sentidos!
Ecos de liberdade
pedindo vida e ganhando cor...
Afinal de contas, desde o berço,
de absurdos sou filha e escrava,
e até à morte, bandeira desfraldada,
meu estandarte e clamor!

Isabel Branco

terça-feira, 17 de abril de 2012

Sempre com a mesma lista; Cirúrgia - Fátima Marinho

82º Programa - Fátima Marinho - DIZER POESIA by MisabelBranco1

82º Programa: Fátima Marinho_Sempre com a mesma lista; Cirúrgia - (Meu_Já) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 17, 19 e 20 de abril de 2012.


Remanceando




Embaciam-se-me os olhos
na prata fluída dum rio
que corre sereno, manso
caudal de lágrimas ao desafio!
Espelham o sol da manhã,
acordando do justo descanso,
levando, misturadas com hortelã,
saudades minhas, aos molhos,
num chorinho, na correnteza, no arrepio,
ao peito teu - meu remanso.




Isabel Branco

terça-feira, 27 de março de 2012

Primavera



Chilreiam felizes os pardais
saltitando de ramo em ramo...
As árvores vestem-se de cor,
Incendeia-se o sol no horizonte...
Intensa, liberta-se no ar
a doce fragância das magnólias...
Bailam os insectos zumbindo
entre as pétalas carnudas
e as corolas desabrochadas
sedentos do amarelado nectar.
Exala-se e respira-se a poesia da tarde
numa calma e contagiante alegria. 
É Primavera a estação do amor!
E eu...cheia de ideais...
apeada...na fila diária 
para o maldito autocarro!


Isabel Branco

Remorso; Sirene; Última Véspera; Há Coisas - Inês Lourenço

79º Programa - Inês Lourenço - DIZER POESIA by MisabelBranco1

79º Programa: Inês Lourenço_Remorso; Sirene; Última Véspera; Há Coisas - (Meu_Não tenho pressa) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 27, 29 e 30 de março de 2012.


domingo, 25 de março de 2012

Sementes do Nada



Semearam o trigo em abril de alvoroço.
Colhemos o joio nos nacos de miséria
servidos todos os dias ao almoço
em bandejas repletas de fome séria.


Nos prados floridos da primavera
murcham os cravos tombados.
Nada alcança a gente que espera
senão direitos e subsídios usurpados.


E o vento ... uivando nas searas vazias,
enrolando o feno seco dos sem razão,
embala-nos manso em toadas e poesias,
a nós, mendigos do luso e pátrio chão.


Isabel Branco


Inquietudes


Andam bocas pelo ar,
esfomeadas de fama...
Vozes escancaradas
no ridículo que as inflama,
mentes inquietas
pela inveja corrompidas,
passos incertos
e atitudes pouco retas...
Andam olhos cegos
calcorreando a calçada,
vazios de luz
açoitando a palavra,
alimentando os egos...
Andam os ouvidos fechados!
Nem dá para acreditar...
Injúrias ...Inquietudes...tantas aí Jesus...
Calei-vos... Ouvi! E vede!
Parai...aprendei com o silêncio
o ouro que se derrama
pelas cascatas da sensatez.
Bebei...e matai essa sede!
Deixai que cresça viçosa e ereta
a sábia planta da poesia
em vós semeada!...


Isabel Branco


quarta-feira, 21 de março de 2012

Poesia


P ardal à solta na brancura do papel,



O nda no mar das sensações,


E moção, ritmo, palavras, fantasia


S ejas o que fores, óh poesia,


I nteira me arrebatas na tua magia,


A mar dos meus amares!




Isabel Branco

Até ao Fim; Murmúrio de um Silêncio; Um Novo Despertar - Luis Ferreira

78º Programa - Luis Ferreira - DIZER POESIA by MisabelBranco

78º Programa: Luis Ferreira_Até ao Fim; Murmúrio de um Silêncio; Um Novo Despertar; - (Meu_Falta-me...) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 20, 22 e 23 de março de 2012.


domingo, 11 de março de 2012

Do rio para o mar



Despede-se o Tejo de Lisboa
num acenar de gaivotas
que pelo entardecer sobrevoa
barcaças, areias e ilhotas...
Meu veleiro desliza sereno
sobre as águas deste rio tranquilo...
Mouro vento, sol moreno,
sal, sonhos disto e daquilo...
Sob as pontes do destino
e o olhar sobranceiro da cidade,
velas içadas ao vento latino,
vai-se o tempo,  vai-se a idade...
Rumo ao Atlântico merecido
quem sabe, um dia, partirá?
Ainda que cinzas, dum azul desconhecido,
ao mar, por seu amor, voltará!

Isabel Branco