terça-feira, 17 de abril de 2012

Sempre com a mesma lista; Cirúrgia - Fátima Marinho

82º Programa - Fátima Marinho - DIZER POESIA by MisabelBranco1

82º Programa: Fátima Marinho_Sempre com a mesma lista; Cirúrgia - (Meu_Já) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 17, 19 e 20 de abril de 2012.


Remanceando




Embaciam-se-me os olhos
na prata fluída dum rio
que corre sereno, manso
caudal de lágrimas ao desafio!
Espelham o sol da manhã,
acordando do justo descanso,
levando, misturadas com hortelã,
saudades minhas, aos molhos,
num chorinho, na correnteza, no arrepio,
ao peito teu - meu remanso.




Isabel Branco

terça-feira, 27 de março de 2012

Primavera



Chilreiam felizes os pardais
saltitando de ramo em ramo...
As árvores vestem-se de cor,
Incendeia-se o sol no horizonte...
Intensa, liberta-se no ar
a doce fragância das magnólias...
Bailam os insectos zumbindo
entre as pétalas carnudas
e as corolas desabrochadas
sedentos do amarelado nectar.
Exala-se e respira-se a poesia da tarde
numa calma e contagiante alegria. 
É Primavera a estação do amor!
E eu...cheia de ideais...
apeada...na fila diária 
para o maldito autocarro!


Isabel Branco

Remorso; Sirene; Última Véspera; Há Coisas - Inês Lourenço

79º Programa - Inês Lourenço - DIZER POESIA by MisabelBranco1

79º Programa: Inês Lourenço_Remorso; Sirene; Última Véspera; Há Coisas - (Meu_Não tenho pressa) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 27, 29 e 30 de março de 2012.


domingo, 25 de março de 2012

Sementes do Nada



Semearam o trigo em abril de alvoroço.
Colhemos o joio nos nacos de miséria
servidos todos os dias ao almoço
em bandejas repletas de fome séria.


Nos prados floridos da primavera
murcham os cravos tombados.
Nada alcança a gente que espera
senão direitos e subsídios usurpados.


E o vento ... uivando nas searas vazias,
enrolando o feno seco dos sem razão,
embala-nos manso em toadas e poesias,
a nós, mendigos do luso e pátrio chão.


Isabel Branco


Inquietudes


Andam bocas pelo ar,
esfomeadas de fama...
Vozes escancaradas
no ridículo que as inflama,
mentes inquietas
pela inveja corrompidas,
passos incertos
e atitudes pouco retas...
Andam olhos cegos
calcorreando a calçada,
vazios de luz
açoitando a palavra,
alimentando os egos...
Andam os ouvidos fechados!
Nem dá para acreditar...
Injúrias ...Inquietudes...tantas aí Jesus...
Calei-vos... Ouvi! E vede!
Parai...aprendei com o silêncio
o ouro que se derrama
pelas cascatas da sensatez.
Bebei...e matai essa sede!
Deixai que cresça viçosa e ereta
a sábia planta da poesia
em vós semeada!...


Isabel Branco


quarta-feira, 21 de março de 2012

Poesia


P ardal à solta na brancura do papel,



O nda no mar das sensações,


E moção, ritmo, palavras, fantasia


S ejas o que fores, óh poesia,


I nteira me arrebatas na tua magia,


A mar dos meus amares!




Isabel Branco

Até ao Fim; Murmúrio de um Silêncio; Um Novo Despertar - Luis Ferreira

78º Programa - Luis Ferreira - DIZER POESIA by MisabelBranco

78º Programa: Luis Ferreira_Até ao Fim; Murmúrio de um Silêncio; Um Novo Despertar; - (Meu_Falta-me...) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 20, 22 e 23 de março de 2012.


domingo, 11 de março de 2012

Do rio para o mar



Despede-se o Tejo de Lisboa
num acenar de gaivotas
que pelo entardecer sobrevoa
barcaças, areias e ilhotas...
Meu veleiro desliza sereno
sobre as águas deste rio tranquilo...
Mouro vento, sol moreno,
sal, sonhos disto e daquilo...
Sob as pontes do destino
e o olhar sobranceiro da cidade,
velas içadas ao vento latino,
vai-se o tempo,  vai-se a idade...
Rumo ao Atlântico merecido
quem sabe, um dia, partirá?
Ainda que cinzas, dum azul desconhecido,
ao mar, por seu amor, voltará!

Isabel Branco

sexta-feira, 9 de março de 2012

Reencontro-te



Epicentro de todos os meus terramotos
reencontro-te rochedo sobre os escombros…
Convergência dos meus pontos cardeais
orientas-me e levas-me nauta mar fora…
Rosa dos meus ventos, imbondeiro dos meus lamentos,
norteias-me, segurando-me as mãos
e comigo esvoaças no sorriso e no beijo.
Eixo do meu mal, apogeu do meu bem,
sol dos meus dias, elíptico me acompanhas
na aprendizagem dos silêncios geniais…
Equador das minhas tórridas paixões,
irmão da minha funesta ansiedade
espraias-te, meu pensamento, de saudade
na brisa mansa dos luares e das sensações
e, difuso, te esfumas na neblina…

Isabel Branco

segunda-feira, 5 de março de 2012

Estro!



Despe-me da pele metamórfica que me cobre
e abre-me as asas de mariposa em véus de encanto…
Toca-me na sensibilidade dos sentidos
e, entre as coxas nuas da noite, em esgares de lua prata,
beija-me as reticências ternamente… com doçura!
Salpica-me de pétalas, num dossel de palavras,
em versos de ouro transformadas…
Inunda-me desse mar nascente que em ti jorra
e pinta comigo o arco na fimbria íris da poesia.
Alaga-me das tuas tempestades tropicais,
arrastando o capim das indiferenças,
quebrando diamante todos os silêncios
e abafando os túrgidos medos…
Encharca-me até aos ossos desse teu pranto enraivecido
e ama-me…ama-me, óh estro, obstinada, insaciavelmente,
como entre nós se deve e faz sentido!

Isabel Branco





Quantas vezes, amor, me tens ferido?; Tu, vã filosofia; Soneto ditado na hora da agonia - Bocage

75º Programa - Bocage - DIZER POESIA by MisabelBranco

75º Programa: Bocage_Quantas vezes, amor, me tens ferido?; Tu, vã filosofia; Soneto ditado na hora da agonia - (Meu_Ah! Bocage...) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273 ou

http://www.rtp.pt/multimediahtml/audio/dizer-poesia


Transmitido na RDP Internacional a 28 fevereiro, 1 e 2 de março de 2012.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

No teu aniversário



Sobes a pulso cada degrau da tua escada.
Segues a direção que escolheste,
o rumo que a bem ou a mal traçaste,
a página que escreveste e viraste!
Indiferente à dor, à lágrima espalhada,
os frutos silvestres que colheste
tingem-te a boca do roxo que semeaste,
nos arlequinescos carnavais que comemoraste.
Vejo-te ainda, menino na caminhada,
nos calções caqui que não rompeste
e nas botas de couro que nunca estreaste,
distante desse futuro que não planeaste.
Vejo-te de novo, agora, quase no final da estrada
nos sinais do quanto envelheceste,
sulcos profundos que no rosto guardaste,
marcas que na tua alma aprisionaste.
E cada ano conquistado é uma vida adiada
nos silêncios que criaste e não rompeste,
nas tantas mulheres que tiveste e não amaste,
nos sonhos que quiseste e não sonhaste.
Cada filho, cada sombra, cada cilada,
que no peito, pássaro ferido, acolheste
não te exime da ilha em que te transformaste,
do mar tenebroso de que te rodeaste.
Criando a máscara mais adequada,
corrimão a que te agarras e mereceste,
habitas o herói nu que personificaste
e escondes-te no negro quadro que pintaste.
Encostas, agora, o rosto cansado à almofada
recordando o filme do tanto que viveste.
No presente aniversário completaste
outro xadrez do jogo solitário que jogaste…


Isabel Branco


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

FÉMINA



O ínfimo espaço que preencho no universo,
a força uterina que me move desde o berço
na inevitável rotação dos dias
e na órbita e translação do pensamento,
veste a suavidade das cambraias,
a ternura, a emoção, o descobrir, o ser,
os cetins, as sedas, a luxúria e o prazer
entre quentes véus e lantejoulas frias.
As negras rendas nas bainhas das mil saias,
rasgam-se na voracidade das horas,
no drama quimico das partículas e das moléculas
que me trouxe, no mistério umbilical de existir,
ao propósito indefinido da matéria
e na alquimia da mente, do consciente e do inconsciente,
me usa e consome e me espalhará pelos séculos
em pó e cinzas gravitacionais...
Reparte-se em centelhas
o macio vidro das meias,
rios e mares os cabelos penteiam
e sombras sulcam rugas nos espelhos do tempo...
Na sofrega vermelhidão das magnólias desabrochadas,
ao despertar de cada manhã,
entre os lençóis de linho bordados
com cheiros de alfazema e romã,
esconde-se um corpo alvo e indolente
na patética vontade do sangue
e no bater compassado dum coração
que se espreguiça, se levanta de coragem
e, de saltos altos, ruma ao desconhecido
humana e feminamente vestido!...

Isabel Branco