domingo, 8 de janeiro de 2012

Fim de festa



Despendurei as estrelas da árvore de Natal,
descoordenei-lhe os ramos,
arrumei as pecinhas de cristal
em gavetas de solidão.
E as ideias entristecidas...
num tocar de sinos calados
por aqueles que mais amamos,
quedaram-se em grande confusão!
Murcharam  as velas douradas ,
agora também guardadas,
e os enfeites, as cores, as fitas , o festival
todos juntos, em fim de festa,
numa caixa silenciados
esperam o ano inteiro nova luz, afinal...

Isabel Branco

sábado, 7 de janeiro de 2012

POETAS DE PALMO E MEIO

67º Programa - Poetas de Palmo e Meio - DIZER POESIA by MisabelBranco

67º Programa: Poetas de Palmo e Meio - Vários poemas de crianças do 1º ciclo da Escola da Coreeira em Albufeira, alunos do prof. Nelson Moniz (e o Meu - Criança me sinto) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273


Transmitido na RDP Internacional a 06 de janeiro de 2012.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Estou Cansada...


Estou cansada...
De tanto querer que me oiças,
de tanto imaginar que me queiras ouvir,
de tanto silêncio ao meu redor...
Ai!...Esta brisa que me chega
trazendo-me das ilhas a promessa de chuva,
a lágrima roliça,
a alga escorregadia...
Ai!... Esta musica que o eco repete
e o mar embala em areia e espuma
entre as rochas e o mistério...
Estou cansada...
De tanto te querer,
de tanto esperar que me queiras,
de tanto beber a tua ausência...
Ai!...Esta voz que me segreda
trazendo-me das montanhas o grito
da tua alma condenada
a tanta vida solitária...
Ai!...Esta saudade que nos envolve
trazendo-me do planalto a infância
nos cheiros da terra
e no mágico desabrochar duma flor...
Estou cansada...
De tanto, por nenhum de nós dois apaziguada,
de tanto chorar-te calada,
de tanto sofrimento e injustiça...
Ai!...Esta gaivota que me acena
trazendo-me o adeus anunciado,
bálsamo de tantos anos perdidos
num compasso de esperas e desesperos...
Ai!...Esta canseira que me cansa
trazendo-me de mim ,  de ti, de nós, exausta
qual giesta mortiça,
qual orquídea adormecida...
Estou cansada...
De tanto te repetir o que sinto
de tanto desamor por troca,
de tanto... que tanto a mim própria minto.


Isabel Branco

A PALAVRA


Ontem…no meu universo,
a palavra era a espera,
a vontade férrea,
o portão por abrir!


Hoje… em cada verso,
a palavra é a esfera,
a presença etérea,
o mundo a descobrir!


Amanhã…quem sabe, reverso,
a palavra seja a quimera,
a longa ponte aérea,
o Absoluto, o Provir!!!




Isabel Branco


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Bola de Sabão




Um olhar de análise...
Um estar de viragem...
Um ser de ninguém...
Eis...a multiplicidade da questão!!!
Um abraço arrefecido...
Um beijo esquecido...
Um desamor sem abrigo...
Eis... a incapacidade do coração!!!
Um ano diabólico passado...
Um sonho perfeito alcançado...
Um projeto difícil adiado...
Eis...a veracidade da razão!!!
Um tempo, uma memória...
Um facto, uma máscara, uma história...
Um homem, uma mulher...
Eis...a realidade da emoção!
Um flamingo, um mar...
Um cavalo branco, alado...
Um poema escrito na areia...
Eis...a liberdade duma bola de sabão!


Isabel Branco

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Minha Gratidão... * Isabel Branco , Minha Poetisa "Azulinha"





Minha Querida Isabel Branco,
Minha "Poetisa Azulinha"

OBRIGADA!!!

nesta palavrinha
tão comum
minha gratidão
pelo momento...
O meu tempo...
no Tempo teu ...
tal "força" na intenção
palavrinhas minhas
pela tua mão...
"Magia do deserto..."
aconteceu...

e...
curtir a saudade
entrar nas vielas da esperança...
alimentar-me da lembrança
reavivar a nossa AMIZADE...

em "PALAVRAS NOSSAS"
Tu... e Eu!!!


de:aileda/adeliavaz

sábado, 3 de dezembro de 2011

Deixei-te além...




Deixei-te além...
Onde as espinheiras me feriram
no âmago da selva,
na esperança dum rio serpente,
na saudade argilosa
dum cheiro inesquecível...

Deixei-te além...
Onde as flores desabrocham
entre os píncaros das montanhas
na visão dum sol poente
sobre as nuvens de algodão
duma ilha maravilhosa...

Deixei-te além...
Onde criança te encontrei
entre os búzios e as conchas,
naquela praia irreverente,
no tempo da memória
dum sorriso inextinguível...

Deixei-te além...
Onde o abraço se descruza
num último adeus que se acena...
No beijo em nossas bocas latente,
algures num tempo perdido,
sonho e asa de mariposa...

Deixei-te além...
Onde a dor se desprende
de meus olhos chuvosa
nesse barco dolente
(alma minha desvairada),
num silêncio inconcebível...

Isabel Branco



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Falta-me...




Falta-me o mar
que longe me espraia...
esse mar onde me escondo,
esse mar onde me encontro...
Falta-me o beijo
que na areia se espuma
esse beijo que me incendeia,
esse beijo que onda me arrebata...
Falta-me a brisa
que os cabelos me despenteia...
essa brisa que me ameniza,
essa brisa que, livre, além me leva...
Falta-me o azul
que imensidão me ilumina...
esse azul que poema me fascina,
esse azul que abismo me domina...
Faltas-me tu...meu (a)mar
que tumultas meu mundo, meu sonho...
nesse amar que me constrói...
nesse amar que me consome!!!


Isabel Branco

sábado, 26 de novembro de 2011

Tomara...





Tomara o sonho, a emoção, o momento
a inexplicável e louca euforia
e banhar-me de lua
em quartos crescentes de meias noites.
Quisera da dor o fim , o esquecimento...
 Um nó cego...uma corajosa ousadia,
e descer a rua
na esperança que me acoites...

Tomara o mar, o azul, o vento,
a frenética dança das folhas secas
e navegar falua
nas mansas águas do teu coração.
Quisera adormecer meu lamento
entre os espinhos das rosas frescas
e ser-te eu e tua,
infinita ...em beijos de rubra paixão!!

Isabel Branco

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Poema à Boca Fechada; Na Ilha por Vezes Habitada; Protopoema - José Saramago


61º Programa - José Saramago - DIZER POESIA by Isabel Branco2

Autodidata, natural de Azinhaga na Golegã e nascido a 16 de Novembro de 1922, José de Sousa Saramago foi jornalista, argumentista, ensaísta, dramaturgo e um brilhante e polémico escritor e poeta português de cariz universal. Nobel da literatura em 1998 ganhou também o Prémio Camões em 95, sendo a sua obra conhecida pelo estilo oral em que a riqueza e vivacidade da comunicação são mais importantes do que a correção da linguagem escrita. Num estilo próprio e único na literatura contemporânea, a sua escrita repensa os acontecimentos, reinventa as figuras históricas e os lugares, criando uma nova realidade histórica, evidenciando também em determinada altura a sua ideologia marxista. Apesar de pouco se falar de Saramago enquanto poeta e pensador, a sua profunda introspecção, lucidez e sentido critico, para além do seu lirismo e originalidade destacaram-no também nessa área, manifestando-se sobretudo através de três formas: a ode, a elegia e o poema de amor. Como ele próprio disse: “Uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro.” Para além disso, todos os seus romances são uma imensa e peculiar prosa poética. Vítima de leucemia crónica, Saramago faleceu a 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio.

POEMA À BOCA FECHADA

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

José Saramago

NA ILHA POR VEZES HABITADA


Na ilha por vezes habitada do que somos,
há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e aperta-mo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o 
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


José Saramago

PROTOPOEMA


Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos
nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os
dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,
e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de 
repente não sei se as águas nascem de mim,
ou para mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o
próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os
barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que
vagarosamente deslizam sobre a película luminosa
dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas
águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e
firme pulsar do coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo
em ramo acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu 
corpo despido brilha debaixo do sol, entre o
esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas 
da memória e o vulto subitamente anunciado do
futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar
calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que 
as aves digam nos ramos por que são altos os
choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem, 
sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas
verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra
viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se
juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.


José Saramago

DESPUDOR


Trago na retina
o baú dos segredos
e espelho rosas em águas calmas.
Habito entre as almas
no tom matiz dos medos
e bebo o fascínio
do néctar que escorre
colhido no exílio dos penedos.
Seguro uma caneta de ponta fina
entre a cútis dos dedos,
cúmplice atrevida
das horas silenciosas
e danço nua, na penumbra,
num esvoaçar de borboleta,
despenteada,
pelos olhos da noite espreitada.
Responde-me o eco
que pelo absoluto corre
como fantasma que da lápide se ergue
e, sou, de novo, menina
pela primeira vez enamorada.
Num esvoaçar de pombas,
 soltam-se as palmas
dum sol de oiro em declínio
e a lua sem pudor
espreita maravilhada
e vem, mansamente, falar-me de amor.


Isabel Branco


DIZER POESIA


61º Programa: José Saramago - Poema à boca fechada; Na ilha por vezes habitada; Protopoema (e o Meu - Despudor) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273


Transmitido na RDP Internacional a 25 de novembro de 2011.


domingo, 20 de novembro de 2011

Aforismo; Karingana ua Karingana; Quero ser tambor - José Craveirinha (Moçambique)



60º Programa - José Craveirinha - DIZER POESIA by Isabel Branco2


AFORISMO


Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos.
Estávamos iguais
com duas diferenças:
Não era interrogada
e, por descuido, podiam pisa-la.
Mas aos dois intencionalmente
podiam por-nos de rastos
mas não podiam

ajoelhar-nos.

Mulato, filho de pai algarvio, José Craveirinha nasceu em Moçambique, na capital Lourenço Marques, atual Maputo, a 28 de Maio de 1922, e faleceu a 6 de Fevereiro de 2003, na África do Sul.
Autodidata, desempenhou diversas actividades. Foi funcionário da Imprensa Nacional de Lourenço Marques, jornalista, atleta, futebolista, cronista desportivo, colaborando também em diversas publicações periódicas.
Foi preso pela PIDE, mantendo-se na prisão durante 5 anos. Posteriormente após a independência de Moçambique foi membro da Frelimo e presidiu à Associação Africana.

Entre outros prémios foi também o 1º autor africano a receber, em 1991, o Prémio Camões. Craveirinha é um dos mais reconhecidos poetas da língua portuguesa e um dos maiores escritores africanos. Refletindo algumas influências dos surrealistas, representa uma natureza sofrida, resistente, encarna as transformações de Moçambique nas últimas quatro décadas, mesclando na sua obra os conflitos da sua época e os tormentos de seu povo.




KARINGANA UA KARINGANA (Fórmula clássica de iniciar um conto e que possui o mesmo significado de “Era uma vez”)


Este jeito
de contar as nossas coisas
à maneira simples das profecias
— Karingana ua Karingana —
é que faz o poeta sentir-se
gente.

E nem
de outra forma se inventa
o que é propriedade dos poetas
nem em plena vida se transforma
a visão do que parece impossível
em sonho do que vai ser.

— Karingana!

QUERO SER TAMBOR


Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos. 

Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero. 

Nem nada! 

Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra. 

Eu! 

Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida. 

Ó velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia. 

Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque! 

Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor! 


José Craveirinha

DE REMOS PERDIDOS

De remos perdidos
singro o meu bote
no mar da incerteza.
Ganho asas de condor
nas velas brancas
que na imaginação desfraldo.
Navego um navio alado
rumo à ilha desconhecida
que entre brumas, ao longe, avisto.

Teimosa, persisto
entre os bancos de sargaços
em que me enredo.
Nem o fascínio dos corais,
nem o brilho das pérolas
de a alcançar me impede.
Escudo-me num sol poente
de azuis e exóticas madrepérolas
e aporto ao cais das longas esperas.

Isabel Branco





DIZER POESIA


60º Programa: José Craveirinha - Aforismo; Karingana ua Karingana; Quero ser tambor (e o Meu - De remos perdidos) 


http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273


Transmitido na RDP Internacional a 18 de novembro de 2011.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

A Vida...



A Vida!…
A minha…
A tua…
A nossa…
A que tivemos
e a que deveríamos ter tido…
A que soubemos
e a que não nos permitimos…
A que perdemos,
a que sonhamos…
e a que nos falta ainda viver…
A vida…que nos coube,
mal ou bem vivida…
mas que não teria sido a mesma
se as nossas vidas
não tivessem feito parte uma da outra!

A Vida!...
O sorriso, a memória…
A lágrima incontida…
O grito, a luta, a glória…
O silêncio, a chegada, a ida!
Enfim, a nossa história!



Isabel Branco