Falta-me o mar que longe me espraia... esse mar onde me escondo, esse mar onde me encontro... Falta-me o beijo que na areia se espuma esse beijo que me incendeia, esse beijo que onda me arrebata... Falta-me a brisa que os cabelos me despenteia... essa brisa que me ameniza, essa brisa que, livre, além me leva... Falta-me o azul que imensidão me ilumina... esse azul que poema me fascina, esse azul que abismo me domina... Faltas-me tu...meu (a)mar que tumultas meu mundo, meu sonho... nesse amar que me constrói... nesse amar que me consome!!!
Autodidata, natural de Azinhaga na Golegã e nascido a 16 de Novembro de 1922, José de Sousa Saramago foi jornalista, argumentista, ensaísta, dramaturgo e um brilhante e polémico escritor e poeta português de cariz universal. Nobel da literatura em 1998 ganhou também o Prémio Camões em 95, sendo a sua obra conhecida pelo estilo oral em que a riqueza e vivacidade da comunicação são mais importantes do que a correção da linguagem escrita. Num estilo próprio e único na literatura contemporânea, a sua escrita repensa os acontecimentos, reinventa as figuras históricas e os lugares, criando uma nova realidade histórica, evidenciando também em determinada altura a sua ideologia marxista.
Apesar de pouco se falar de Saramago enquanto poeta e pensador, a sua profunda introspecção, lucidez e sentido critico, para além do seu lirismo e originalidade destacaram-no também nessa área, manifestando-se sobretudo através de três formas: a ode, a elegia e o poema de amor. Como ele próprio disse: “Uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro.” Para além disso, todos os seus romances são uma imensa e peculiar prosa poética. Vítima de leucemia crónica, Saramago faleceu a 18 de Junho de 2010, aos 87 anos de idade, na sua casa em Lanzarote onde residia com a mulher Pilar del Rio.
POEMA À BOCA FECHADA
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
José Saramago
NA ILHA POR VEZES HABITADA
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer. Então sabemos tudo do que foi e será. O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam. Levantamos um punhado de terra e aperta-mo-la nas mãos. Com doçura. Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela. Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz. Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste.
José Saramago
PROTOPOEMA
Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me aparece solto. Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos. É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos, e tem a macieza quente do lodo vivo. É um rio. Corre-me nas mãos, agora molhadas. Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de
repente não sei se as águas nascem de mim, ou para
mim fluem. Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o próprio corpo do rio. Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que vagarosamente deslizam sobre a película luminosa dos olhos. Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas águas como os apelos imprecisos da memória. Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga. Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e firme pulsar do coração. Agora o céu está mais perto e mudou de cor. É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo
acorda o canto das aves. E quando num largo espaço o barco se detém, o meu
corpo despido brilha debaixo do sol, entre o esplendor maior que acende a superfície das águas. Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas
da memória e o vulto subitamente anunciado do futuro. Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar calada sobre a proa rigorosa do barco. Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que
as aves digam nos ramos por que são altos os choupos e rumorosas as suas folhas. Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,
sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas verticais circundam. Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra viva. Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se juntarem às mãos. Depois saberei tudo.
José Saramago
DESPUDOR
Trago na retina o baú dos segredos e espelho rosas
em águas calmas. Habito entre as almas no tom matiz dos medos e bebo o fascínio do néctar que escorre colhido no exílio dos penedos. Seguro uma caneta de ponta fina entre a cútis dos dedos, cúmplice atrevida das horas silenciosas e danço nua, na penumbra, num esvoaçar de borboleta, despenteada, pelos olhos da noite espreitada. Responde-me o eco que pelo absoluto corre como fantasma que da lápide se ergue e, sou, de novo, menina pela primeira vez enamorada. Num esvoaçar de pombas, soltam-se as palmas dum sol de oiro em declínio e a lua sem pudor espreita maravilhada e vem, mansamente, falar-me de amor.
Isabel Branco
DIZER POESIA
61º Programa: José Saramago - Poema à boca fechada; Na ilha por vezes habitada; Protopoema (e o Meu - Despudor)
Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos.
Estávamos iguais
com duas diferenças:
Não era interrogada
e, por descuido, podiam pisa-la.
Mas aos dois intencionalmente
podiam por-nos de rastos
mas não podiam ajoelhar-nos.
Mulato, filho de pai algarvio, José Craveirinha nasceu em Moçambique,
na capital Lourenço Marques, atual Maputo, a 28 de Maio de 1922, e faleceu a 6 de
Fevereiro de 2003, na África do Sul.
Autodidata, desempenhou diversas actividades. Foi funcionário da
Imprensa Nacional de Lourenço Marques, jornalista, atleta, futebolista,
cronista desportivo, colaborando também em diversas publicações periódicas.
Foi preso pela PIDE, mantendo-se na prisão durante 5 anos.
Posteriormente após a independência de Moçambique foi membro da Frelimo e
presidiu à Associação Africana.
Entre outros prémios foi
também o 1º autor africano a receber, em 1991, o Prémio Camões. Craveirinha é um
dos mais reconhecidos poetas da língua portuguesa e um dos maiores escritores
africanos. Refletindo algumas influências dos
surrealistas, representa uma natureza sofrida, resistente, encarna as
transformações de Moçambique nas últimas quatro décadas, mesclando na sua obra
os conflitos da sua época e os tormentos de seu povo.
KARINGANA
UA KARINGANA (Fórmula clássica de iniciar um conto e que possui o
mesmo significado de “Era uma vez”)
Este jeito
de contar as nossas coisas
à maneira simples das
profecias
— Karingana ua Karingana —
é que faz o poeta
sentir-se
gente.
E nem
de outra forma se inventa
o que é propriedade dos
poetas
nem em plena vida se
transforma
a visão do que parece
impossível
em sonho do que vai ser.
—
Karingana!
QUERO
SER TAMBOR
Tambor está velho de gritar Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor corpo e alma só tambor só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero Nem rio correndo para o mar do desespero Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do
desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha
terra Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu!
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala Só tambor velho de sentar no batuque da minha
terra Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Ó velho Deus dos homens eu quero ser tambor e nem rio e nem flor e nem zagaia por enquanto e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida Só tambor noite e dia dia e noite só tambor até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens deixa-me ser tambor só tambor!
José Craveirinha
DE REMOS PERDIDOS
De remos perdidos
singro o meu bote
no mar da incerteza.
Ganho asas de condor
nas velas brancas
que na imaginação desfraldo.
Navego um navio alado
rumo à ilha desconhecida
que entre brumas, ao longe, avisto.
Teimosa, persisto
entre os bancos de sargaços
em que me enredo.
Nem o fascínio dos corais,
nem o brilho das pérolas
de a alcançar me impede.
Escudo-me num sol poente
de azuis e exóticas madrepérolas
e aporto ao cais das longas esperas.
Isabel Branco
DIZER POESIA
60º Programa: José Craveirinha - Aforismo; Karingana ua Karingana; Quero ser tambor (e o Meu - De remos perdidos)
Transmitido na RDP Internacional a 11 de novembro de 2011.
Agostinho Neto nasceu em Kaxicane, concelho de Ícolo e Bengo, distrito de Luanda, Angola, a 17 de Setembro de 1922 e faleceu em Moscovo, a 10 de Setembro de 1979, presumivelmente assassinado, no decorrer de complicações ocorridas durante uma operação a um cancro hepático de que sofria, poucos dias antes de fazer 57 anos de idade. Médico, formado em Portugal, preso pela PIDE, e deportado para o Tarrafal pela sua ideologia politica, presidente do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), viria a tornar-se, a 11 de Novembro de 1975, no primeiro presidente de Angola até 1979. A sua obra, confunde-se com a própria história recente de Angola, condicionada pelas dificuldades do momento em que foi escrita. A poesia de Agostinho Neto é uma poesia engajada que apresenta as imagens poéticas das vivências do homem angolano. Mas ele não fala só do passado e do presente, mas também da busca, da preparação do futuro. Fala da necessidade de lutar, de sonhar, de lutar pela independência, do reconquistar da identidade angolana apesar da presença colonizadora.
ADEUS À HORA DA LARGADA
Minha Mãe (todas as mães negras cujos filhos partiram) tu me ensinaste a esperar como esperaste nas horas difíceis
Mas a vida
matou em mim essa mística esperança
Eu já não espero sou aquele por quem se espera
Sou eu minha Mãe a esperança somos nós os teus filhos
partidos para uma fé que alimenta a vida
Hoje somos as crianças nuas das sanzalas do mato os garotos sem escola a jogar a bola de trapos nos areais ao meio-dia somos nós mesmos os contratados a queimar vidas nos cafezais os homens negros ignorantes que devem respeitar o homem branco e temer o rico somos os teus filhos dos bairros de pretos além aonde não chega a luz elétrica os homens bêbedos a cair abandonados ao ritmo dum batuque de morte teus filhos com fome com sede com vergonha de te chamarmos Mãe com medo de atravessar as ruas com medo dos homens nós mesmos
Amanhã entoaremos hinos à liberdade quando comemorarmos a data da abolição desta escravatura
Nós vamos em busca de luz os teus filhos Mãe (todas as mães negras cujos filhos partiram) Vão em busca de vida.
Agostinho Neto
POEMA
Apetece-me escrever um poema.
Um poema fechado
dentro de si para ser compreendido apenas pelos passarinhos que chilreiam lá fora sobre as três árvores da minha única paisagem; para ser sentido na canção da seiva circulante no verde das ervas do caminho áspero da encosta; e pelo brilho do sol e pelo carácter integro dos homens.
Um poema que não sejam letras mas sangue vivo em artérias pulsáteis dum universo matemático e sejam astros cintilantes para calmas noites de Invernos chuvosos e frios e seja lume para acolher as gazelas que pastam inseguras nos campos acolhedores da imensa vida; amizade para corações odientos; motor impelindo o impossível para a realidade das horas; cântico harmonioso para formosura dos homens.
Um poema -
(ah! quem comparou a África a uma interrogação
cujo ponto é Madagáscar?)
Um poema solução resolvendo a curva interrogativa da imagem em linha recta de afirmação; a beleza das florestas virgens e a precisão da engrenagem da existência;
o som fantástico do trovejar sobre pedras; os cataclismos fluviais pendentes sobre as frágeis canoas do rio Zaire; a obnubilação ansiosa das almas da penumbra o claro arrebol no olhos dos homens.
Um poema traçado sobre aço escrito com as flores da terra e com os braços erguidos da podridão; esculpido no amor que exala a esperança daquele meu amigo a esta hora com a tanga ensopada no suor do seu dorso; com as canções adocicadas dum quissange ao luar; das gargalhadas infantis para a minha amada; do calor simpático do corpo sangrento dos homens
Um poema fechado – longo e imperceptível – em que amor e ódio entrelaçados sejam a síntese da discordância para ser cantado em todas as línguas guiado pelo som da marimba e do piano; ritmo de batuque enxertado sobre as valsas da outra mocidade; harmonia de xinguilamentos sobre o bárbaro matraquear das máquinas de escrever; grito aflitivo no vácuo debatendo-se para encontrar a vibração da matéria e a aspiração dos homens.
Mas não escreverei o poema.
Em que subterrâneos circularia o ar irrespirável da violência? Nas cavernas dos teus pulmões ò caften das vielas sórdidas do conformismo? Ou na avidez dos quilométricos intestinos dos chacais? Ou nas cavidades prostituídas do coração infame do esclavagismo? Ou nas goelas da desonestidade inconsciente?
Não escreverei o poema.
Escreverei cartas à minha amada preencherei os espaços claros dos impressos com letra impecável e nos intervalos cantarei canções afro-brasileiras. Sonharei. Sonharei com os olhos do amor encarnados nas tuas maravilhosas mãos de suavidade e ternura. Sonharei com aqueles dias de que falavas quando te referias à primavera; sonharei contigo e com o prazer de beber gotas de orvalho na relva deitado ao teu lado, ao sol – uma praia furiosa lá ao longe.
E ficará dentro de mim
a amargura por não escrever o poema.
Ele há tantas amargura! Não escreverei o poema.
Direi simplesmente que o colosso de certeza na humanidade do Universo é inapagável como o brilho das estrelas como o amor dos teus olhos com a força na harmonia dos braços como a esperança nos corações dos homens.
Inapagável como a sensual beleza da agilidade das feras sobre o campo e o terror transmitido dos abismos.
Direi simplesmente sim sempre sim à honestidade dos homens ao viço juvenil da sinfonia das árvores; ao odor inesquecível da natureza que apaga todos os possível cheiros amargos.
Sim! à interrogação mágica de Talamungongo do Cunene ou do Maiombe, ao sonoro cântico de ritmo subterrâneo e dos chamamentos telúricos; aos tambores apelando para o fio da ancestralidade esbatida aqui e além; ao ponto interrogativo de Madagáscar.
Sim! às solicitações místicas à musculatura dos membros ao quente das fogueiras endeusadas na lenha das sanzalas às expressões magníficas das faces esculpidas no alegre sofrimento das quitandeiras e no ritmo febril das sensações tropicais; à identidade
com a filosofia do embondeiro ou com a condição dos homens, ali onde o capim os afoga em confusão. Sim!
À África-terra, à África humana.
Direi sim em qualquer poema.
E esperemos que a chuva passe e deixe de molhar os chilreantes passarinhos sobre as três árvores da minha única paisagem.
Isso passa.
Agostinho Neto
HAVEMOS DE VOLTAR!
Havemos de voltar! Mais velhos... Diferentes... Derrotados... Cinzas... Pó... Sementes
arrastadas pelo vento num pôr de sol de fogo... Levados na fúria da maré... Mas havemos de voltar numa trovoada tropical, derrubados beijaremos a terra e voltaremos, serenos, a florescer no capinzal.
Isabel Branco (in A Outra Parte de Mim... do livro Dez Degraus até ao Sol)
Alda do Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé a 30 de Abril de 1926. Foi educada em Portugal, regressando depois à sua Ilha, como professora, exercendo posteriormente alguns cargos governamentais nas áreas da Educação, da Informação e da Cultura e ainda como deputada e Presidente da Assembleia Nacional.
Presidente da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe, cargo que acumulou com a Presidência do Fórum da Mulher de S. Tomé e Príncipe é autora da letra do hino nacional de S. Tomé e Príncipe e de uma poesia, que expressa o protesto e a luta, intimamente associados às aspirações do seu povo e à liberdade. Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique.
Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", um dos seus trabalhos mais importantes, conjuntamente com Trindade outro livro que publicaria mais tarde.
Faleceu a 10 de Março de 2010, aos 83 anos, em Luanda para onde foi evacuada para a amputação duma perna devido a diabetes.
EM TORNO DA MINHA BAÍA
Aqui, na areia, Sentada à beira do cais da minha baía do cais simbólico, dos fardos, das malas e da chuva caindo em torrente sobre o cais desmantelado, caindo em ruínas eu queria ver à volta de mim, nesta hora morna do entardecer no mormaço tropical desta terra de África à beira do cais a desfazer-se em ruínas, abrigados por um toldo movediço uma legião de cabecinhas pequenas, à roda de mim, num voo magistral em torno do mundo desenhando na areia a senda de todos os destinos pintando na grande tela da vida uma história bela para os homens de todas as terras ciciando em coro, canções melodiosas numa toada universal num cortejo gigante de humana poesia na mais bela de todas as lições:
HUMANIDADE
Alda do Espírito Santo
ILHA NUA
Coqueiros e palmares da Terra Natal Mar azul das ilhas perdidas na conjuntura dos séculos Vegetação densa no horizonte imenso dos nossos sonhos. Verdura, oceano, calor tropical Gritando a sede imensa do salgado mar No deserto paradoxal das praias humanas Sedentas de espaço e de vida Nos cantos amargos do ossobô (1) Anunciando o cair das chuvas Varrendo de rijo a terra calcinada Saturada do calor ardente Mas faminta da irradiação humana Ilhas paradoxais do Sul do Sará Os desertos humanos clamam Na floresta virgem Dos teus destinos sem planuras...
Alda do Espírito Santo
1 - 0ssobô: ave de belas cores, cujo canto, segundo a tradição, anuncia chuva. Tem ainda a força mítica que o associa a regiões paradisíacas.
NÃO SOU DAQUI…
Não sou daqui...
Vim do Longe, do Ontem que Amanhã há-de provir.
Esmoreço, por aqui...
No meu hábito de monge a ninguém, a nada me identifico.
Areia doutro mar, embruteço, petrifico no tempo sem idade, incapaz de mudar...
Bicho doutro mato, sol doutra selva, em lúcida identidade vagueio plena do acto...
Inócua, desenraizada, humana me ramifico e me entrelaço na cidade pelas lianas do ali...
Ato e desato o presente sem vacilar!
Não!... Não sou daqui...
E, fico...
Fico na louca vontade de partir, cheirando além, a rosas, a relva, ao lírio branco do recomeçar...
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MONLAN, o maior festival budista
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PARABÉNS, PUTO MARAVILHA
Cristiano Ronaldo - O maior futebolista do mundo - 2008 (o 2º Português a conquistar este galardão) - Click na foto
O mundo é dos poetas. Embora loucos, ninguém lhes pode roubar nem a essência nem a razão.
SOU BENFIQUISTA
ganhando ou perdendo... (click na foto)
Ó águias que alto voam, nos vermelhos céus sem fim, sois vitórias que ecoam e um orgulho para mim!
Sugerido por Xico LF (Click na imagem) Para ouvir as canções, seleccionar em «Discografia» (coluna do meio) o que se pretende, e na coluna da direita, abaixo da capa do álbum, aparecendo as canções, ouve-se a que se quiser, através do «dispositivo de som» (seta de «play», setas de selecção para trás e para a frente).
(click na foto e veja outras fotos da minha objectiva)
OS ÚLTIMOS ANOS:
A inexorável passagem do tempo
Adolescência e Juventude
O tempo é o que dele fazemos e o melhor que temos é o que dele vivemos!
Os primeiros anos
Algumas fotos da infância:
MINHAS PRINCESAS, MEUS TESOUROS
"Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida." Sófocles
"O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho." Agatha Christie
Forma de pagamento: por transferência bancária, cobrança postal, cheque (no caso da Editora) ou directamente a mensageiro. Preço :15,75 € (c/IVA incluído)
Contra Capa e Posfácio
A poesia de Isabel Branco é uma luta. Uma luta com a palavra, para que signifique mais; com o tema, para que seja tudo; com o ritmo, para que seja música. Não será assim com todos os poetas? Todos lutam pela expressão, na tentativa de chegar ao sentido de um mundo e de uma condição humana capaz de revelar Deus. Mas a poesia de Isabel é imanente. Para ela, o absoluto deve estar numa pedra, num pássaro, numa mão que gesticula, numa pétala que cai. O poema de Isabel é súbito e espontâneo como o riso de uma criança. Isento de retórica, livre dos artifícios que satisfazem alguns críticos, é uma poesia pura. É a própria Isabel que se escreve em cada verso. A pedra, o pássaro, a mão, a pétala são pedaços dela. Dói arrancá-los. Dói reuni-los.
Eduardo Homem
Dez Degraus Até ao Sol
Colectânea de Dez Livros - Capa
Publicado pela Editorial 100
À venda nas Livrarias: Apolo 70, em Lisboa Esperança, no Funchal
Formas de pagamento: por transferência bancária, cobrança postal, ou directamente a mensageiro
Preço:26,25 (c/Iva Incluído)
Contra Capa
"A palavra flui intensamente, com simplicidade, mas profunda. Entranha-se na alma e na pele. O seu universo não deixa nada de fora. O quotidiano torna-se extraordinariamente mais natural. Isabel Branco preenche a realidade com a sua particular sensibilidade. Tudo fica mais vivo com o seu tom azul."
Fotos da Venda de Natal entre amigos, e de locais e Livrarias onde se encontram à venda.
OS MEUS BICHOS:
“Enquanto não amamos um animal, uma parte da nossa alma permanecerá adormecida.” Anatole France “O menor dos felinos é uma obra prima.” Leonado Da Vinci
“Eu estudei muitos filósofos e muitos gatos. A sabedoria dos gatos é infinitamente superior.” Hippolyte Taine
UMA SIMPLES ROSA AMARELA
A poesia mora entre nós e espreita-nos deliciada, numa simples rosa amarela... sinal de luz, toda ela, que vos oferto encantada.
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