terça-feira, 1 de novembro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Minha alma, meu ser...



Minha alma grita, 
esbraceja aflita... 
 Meu ser reclama, 
 chora, ri e ama... 


 Óh alma proscrita, 
 cigana maldita... 
 Ó ser, fúria, chama 
 qu’ a fogueira inflama! 


 Minha alma se agita 
 se esconde e cogita... 
 Arbusto, rama, 
 meu ímpio ser s’acama. 


 Isabel Branco

sábado, 10 de setembro de 2011

Não tenho pressa



Não tenho pressa...
Vou andando devagar, passo a passo
o meu caminho, a minha estrada.
Hei-de chegar ao despontar duma qualquer manhã
com o cantar dos pássaros
e um cheiro adocicado a maçã.
Já me debati, já me feri
no arame farpado que para trás deixei,
no campo de concentração
aonde aprisionei a minha ilusão...
Troquei a máscara, lavei as mãos,
salpiquei meu árido chão
de acetinadas pétalas de rosa
e dos espinhos fiz a minha coroa
mas, sigo...sigo sobrevivente a minha estrada.
Já me perdi no cansaço, andei à toa,
bebi o pó das encruzilhadas,
ateei o fogo no mato das minhas fogueiras
e guiei-me pelas estrelas na gélida noite enluarada,
do deserto da minha solidão.
Na rubra cor da romã
arrastei os pés e o coração!
No barro da minha terra enterrei
a aliança mais valiosa
da minha primeira vida,
dos meus tempos de menina!
Vou...agora sem pressa...
meu destino hei-de alcançar
na calma dum outro respirar...
Fica minha presença impressa
na suave brisa da maresia,
no azul da tinta, do mar e do amar
na imortal voz da poesia.
Na areia, as ondas aos poucos abraçam
o sinal da minha caminhada,
as pégadas da minha vida...
Sigo...no entanto, sem pressa...empenhada
até onde seja o meu lugar!

Isabel Branco

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Padecer




Cada dia é um começo;
cada dia é um fim...
O amor acontece...
a saudade permanece
na constante renovação,
num sopro de vento,
na visão do adeus inevitável.

E o poeta...Ah! o poeta...
esse...de sentida dor,
intensamente, padece...

Isabel Branco


domingo, 21 de agosto de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sol




Sol, oiro dos meus dias,
porque teimas em esconder-te
entre as montanhas e as nuvens?
Vem...irrompe pelas serranias,
vital, no meu céu a brilhar,
abraça-me e dá-me a mão!
Vem...iluminar-me de luz
Vem...espraiar-te no poente
azul dourado do nosso (a)mar...


Isabel Branco



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Alma Aprisionada


(Imagem da Net)



Ah! Esta ansiedade que me agita,
este meu estar desassossegado...
Ah! Este grito incontido
que me magoa as cordas vocais
a cada eco de descontentamento...
Este mau humor, este mau feitio
parecem peixes enlouquecidos
em aquários redondos, pequenos,
girando, girando estúpidos
em círculos infinitos.
Esta prisão, a pior de todas,
a das minhas próprias barreiras colossais,
tem muros altos e brancos
perfilados no gélido e manso lago sombrio,
espelho do meu olhar,
tem algemas, tem correntes e calabouços malditos,
penas máximas ...e pecados capitais ...
Ah! Esta minha alma...insubmissa, incontrolada...
chafariz de pensamentos hediondos,
quer apenas dormir...quer apenas descansar...
e, absolvida, em justa e absoluta tranquilidade,
em inocentes sonhos adormecer e sonhar...
asa à solta voando em liberdade!

Isabel Branco

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diferença


(Imagem da Net)


Sentes a diferença?
Alguma notória ou mínima diferença em mim?
No que penso ou no que digo,
volvidos os anos, passados os contratempos...
Guardados na memória os bons e os maus momentos?!
Sentes as prioridades
que tive que tomar, os caminhos que tive que seguir?
As escolhas que se impuseram,
as espadas que me obrigaste a esgrimir?
Sou a mesma, escondida entre os disfarces da verdade,
nas vestes duma antiga crença...
Esquece as rugas, vê apenas o rosto...
A vida é injusta e não se compadece...
Sente a alma e respira...
Sou ainda a flor naquele jardim...
Timida, corada, sujeita aos ventos ruins...
Sou eu ainda...ainda que tantos eus por mim
e para mim me tenham florido
e colorido a dura existência.
Serás tu...também o verde ramo,
pujante de frutos, erguido ao sol da manhã?
Serás tu...ainda o menino atrevido
ou os outros tantos tus, que escondeste
nas dobras do teu bigode
ou na concha em que te fechaste
e abandonaste na tua praia deserta?
Serás tu...ainda a esperança,
ou a cinza, ou talvez o fumo escondido
no teu cigarro por fumar...
Qual de nós terá mudado,
qual de nós é ou se tornou realmente diferente?
Qual de nós se esqueceu do azul e do mar
navegando na escuridão dos sem fins?
O odor da paradisiaca maçã
cola-se aos nossos corpos envelhecidos
tranformando-os em troncos esquecidos,
inuteis e derrubados capins...
Porque te demoras?
Porque não provas das apetecíveis,
silvestres e doces amoras
que a floresta tem ainda para nos ofertar?
Porque não vens??? Esquece o tempo,
o silencioso magicar das horas...
Sê tu ...somente,
que eu serei o verdadeiro eu ...
e, juntos, adormeceremos na terra chã...


Isabel Branco


domingo, 14 de agosto de 2011

A Saudade tem um nome


Los Amantes de Teruel



Saudade... dor com um só nome,
que, doendo, tanto me faz pensar:
o teu, meu AMOR, assim pronome
e sina minha por t’amar.

Não queres falar comigo...não fales!
Não queres nada comigo...não queiras!
Se sou o maior dos teus males
és a maior das minhas asneiras!

Voltaria! E tudo, de novo, faria.
Em meu destino está escrito
que para sempre t’amaria.

Escuta bem este meu grito:
Querido, jamais t’incomodaria
se nosso amor não fosse infinito.


Isabel Branco


sábado, 13 de agosto de 2011