domingo, 21 de agosto de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sol




Sol, oiro dos meus dias,
porque teimas em esconder-te
entre as montanhas e as nuvens?
Vem...irrompe pelas serranias,
vital, no meu céu a brilhar,
abraça-me e dá-me a mão!
Vem...iluminar-me de luz
Vem...espraiar-te no poente
azul dourado do nosso (a)mar...


Isabel Branco



quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Alma Aprisionada


(Imagem da Net)



Ah! Esta ansiedade que me agita,
este meu estar desassossegado...
Ah! Este grito incontido
que me magoa as cordas vocais
a cada eco de descontentamento...
Este mau humor, este mau feitio
parecem peixes enlouquecidos
em aquários redondos, pequenos,
girando, girando estúpidos
em círculos infinitos.
Esta prisão, a pior de todas,
a das minhas próprias barreiras colossais,
tem muros altos e brancos
perfilados no gélido e manso lago sombrio,
espelho do meu olhar,
tem algemas, tem correntes e calabouços malditos,
penas máximas ...e pecados capitais ...
Ah! Esta minha alma...insubmissa, incontrolada...
chafariz de pensamentos hediondos,
quer apenas dormir...quer apenas descansar...
e, absolvida, em justa e absoluta tranquilidade,
em inocentes sonhos adormecer e sonhar...
asa à solta voando em liberdade!

Isabel Branco

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diferença


(Imagem da Net)


Sentes a diferença?
Alguma notória ou mínima diferença em mim?
No que penso ou no que digo,
volvidos os anos, passados os contratempos...
Guardados na memória os bons e os maus momentos?!
Sentes as prioridades
que tive que tomar, os caminhos que tive que seguir?
As escolhas que se impuseram,
as espadas que me obrigaste a esgrimir?
Sou a mesma, escondida entre os disfarces da verdade,
nas vestes duma antiga crença...
Esquece as rugas, vê apenas o rosto...
A vida é injusta e não se compadece...
Sente a alma e respira...
Sou ainda a flor naquele jardim...
Timida, corada, sujeita aos ventos ruins...
Sou eu ainda...ainda que tantos eus por mim
e para mim me tenham florido
e colorido a dura existência.
Serás tu...também o verde ramo,
pujante de frutos, erguido ao sol da manhã?
Serás tu...ainda o menino atrevido
ou os outros tantos tus, que escondeste
nas dobras do teu bigode
ou na concha em que te fechaste
e abandonaste na tua praia deserta?
Serás tu...ainda a esperança,
ou a cinza, ou talvez o fumo escondido
no teu cigarro por fumar...
Qual de nós terá mudado,
qual de nós é ou se tornou realmente diferente?
Qual de nós se esqueceu do azul e do mar
navegando na escuridão dos sem fins?
O odor da paradisiaca maçã
cola-se aos nossos corpos envelhecidos
tranformando-os em troncos esquecidos,
inuteis e derrubados capins...
Porque te demoras?
Porque não provas das apetecíveis,
silvestres e doces amoras
que a floresta tem ainda para nos ofertar?
Porque não vens??? Esquece o tempo,
o silencioso magicar das horas...
Sê tu ...somente,
que eu serei o verdadeiro eu ...
e, juntos, adormeceremos na terra chã...


Isabel Branco


domingo, 14 de agosto de 2011

A Saudade tem um nome


Los Amantes de Teruel



Saudade... dor com um só nome,
que, doendo, tanto me faz pensar:
o teu, meu AMOR, assim pronome
e sina minha por t’amar.

Não queres falar comigo...não fales!
Não queres nada comigo...não queiras!
Se sou o maior dos teus males
és a maior das minhas asneiras!

Voltaria! E tudo, de novo, faria.
Em meu destino está escrito
que para sempre t’amaria.

Escuta bem este meu grito:
Querido, jamais t’incomodaria
se nosso amor não fosse infinito.


Isabel Branco


sábado, 13 de agosto de 2011

sábado, 6 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

FUI MAR, SOU RIO...


Fotos minhas


Fui menina selva,
menina bicho do mato
luar, praia, mar, imbondeiro,
tronco, raiz, maçaroca...

Fui sol, fui calor...

Depois esplendor na relva,
manga doce ao olfato,
fui a tropicalidade do mamoeiro,
a rubra acácia, a mandioca...

Sou mulher cidade,
Mulher maresia, mulher poema
neste Tejo das canoas à deriva
e das gaivotas em patética sinfonia...

Sou grito, sou dor...

Em cada viela, bebo do fado a saudade,
sou alecrim, hortelã, alfazema,
alma solitária que se esquiva
flor de lis em permanente agonia...

Fui menina do mar,
sou mulher do rio...
Fui sonho a navegar
sou a hora, o desafio!

Fui mar, sou rio...


Isabel Branco


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Que sei eu...


(Imagem da Net)


Que sei eu da razão se a razão
me corrói e me despedaça o coração...

Eu, ou esse cadáver de mim,
com que me cruzo a cada esconso dia
temos histórias, temos mistérios escondidos
na velha arca dos nossos confins...
E tudo o que devíamos ter dito,
tudo o que pensámos e nunca dissemos,
tudo o que sonhámos e não vivemos...
tudo guardamos, tudo armazenamos,
no abarrotar de nós próprios e dos nossos lixos,
julgando éticos um outro amanhã
reciclado, diferente, transformado!

Que sei eu da verdade, se a verdade
me molesta e me cerca de saudade...

Eu, ou esse fantasma de mim,
de que me escondo amedrontada
temos trapos e vestes brancas de magia
impregnadas de odores e noites frias,
bancos de luz, e laivos de poesia,
que deitamos em lençóis de linho vazios ...
E tudo o que tocámos e não quisemos,
tudo o que tivemos e não merecemos
se vira contra nós em vigílias insones,
no macabro desfilar dos nossos íntimos
e mais recônditos horrores !

Que sei eu do amor se o amor
me magoa e me corrói de dor...

Eu, ou esse outro lado de mim,
com que me diferenço e distingo
temos catedrais de sonho e de cor,
festins carnais e madrugadas de esplendor...
E tudo o que acalentámos e nos deixou,
tudo o que amámos e nos amou,
tudo o que desejámos ou esquecemos,
tudo nos une: pele, sangue, ato, ritual, mito,
(barcos nas gavetas da memória,
pétalas duma roseira que não murchou),
no reescrever das páginas dum amar sem fim!

Que sei eu de mim, se cansada de mim
me declino no sofá do meu camarim...

Eu, ou essa sombra de mim,
com que me espelho e me reflito
temos a feira das nossas vaidades,
as pérolas, o âmbar das cumplicidades...
E tudo o que vestimos nos despe,
tudo o que parecemos não somos
tudo o que pensamos e alcançamos,
tudo conspira na essência do eu: asa,
poder, cérebro, graça e emoção
na maquilhagem perfeita da intuição
na infinita sede do quase...quase divino!

Que sei eu de nós, se afinal nós
herdámos a genética dos avós...

Eu...e essa alma gémea de mim!!!


Isabel Branco


quinta-feira, 21 de julho de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Azul Poente


Foto de Isabel Branco


Aos azuláceos oiros do poente
o silêncio adormece o dia
em serena e mansa hora...

O mar sussurra docemente,
sente-se o Absoluto, a Poesia -
fresta, num olhar que se demora!


Isabel Branco

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Duas Gaivotas


Foto de Isabel Branco


Se uma gaivota vier
e a outra se juntar
esteja onde estiver
traz-lhe um beijo de mar...

Partem logo de seguida
em alegre algazarra:
Dois lenços em despedida,
brancas asas em céu de farra!

São duas lágrimas de sal
voando em liberdade
num bailado original...

e escrevem com originalidade,
ao poente pelo areal,
bela a palavra SAUDADE!

Isabel Branco


domingo, 17 de julho de 2011

Metade e Não Há Vagas - Ferreira Gullar



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DIZER POESIA

42º Programa: FERREIRA GULLAR - Metade; Não há vagas; (e o Meu - Espero por ti)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

Transmitido na RDP Internacional a 15 de Julho de 2011.

MAR


Foto de Isabel Branco

Páginas de espuma
escritas na areia branca
com penas de sol
e aparos de lua...
Um tanto de belo,
um tanto de dor
nas ondas que num vai e vem
lamentos naufragam
e em, murmúrios de amor,
capítulos encerram...
Sem palavras que o resuma
cada letra é um adágio
duma só sílaba nua,
neste livro a que chamei MAR.
Perdoe-me Deus o plágio
se outro, ou melhor nome
não consegui encontrar.
Tão pouco, sozinha, o escrevi.
Tantas vezes o li e reli
mistério, imensidão, enfim...
Ora em brumas envolta,
ora em azul sonho, me confundi
numa estranha forma de amar,
num ávido delírio temporal,
meu amor revolta
MAR...mar meu... sem ter fim...
sem ter volta!


Isabel Branco

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sonhei contigo...






Meu amor, minha vida,
minha estrela inatingível
inegualável no universo,
meu mágico violino
de acordes sublimes,
sonhei contigo...

Sonhei que, juntos no firmamento,
era nossa a melodia
e a nossa luz um novo brilho...

Nossa cama tinha um manto
rendilhado a ouro, prata e outras pedrarias
que nos cobria a nudez...
Era o manto da noite,
manto de lua e oceano
e tantas, tantas, outras estrelas...

Num afago de mar,
a cálida brisa brincava despenteando
anéis loiros dos nossos cabelos,
a branca espuma das ondas
enrolava-se na areia fina
num lânguido sussurro enamorado...

Nas mãos que nos dávamos
no húmido e quente beijo
que nossas bocas unia
éramos estrelas cadentes
ao som de quatro exímias cordas,
(noite, lua, brisa e mar),
em mirabolante serenata
dum enlouquecido Stradivarius
num genial concerto de Paganini...


Isabel Branco

segunda-feira, 11 de julho de 2011

No Infinito do Ser




Do infinito do querer
quis ter e parecer.
Porém, bastou-me o sentir
e o deixar, simplesmente, fluir
momentos de alegria
entre a realidade e a fantasia,
instantes intensos ainda que fugazes
e sonhos, sonhos loucos e audazes...
No verso e no reverso
tanto me foi adverso,
nos pensamentos e sensações
no à flor da pele das emoções.
No balanço das contas final,
no mais profundo do espirito e do sensual
onde a alma e o corpo comemoram,
e no íntimo se demoram,
nesse infinito do ser
quis saber e soube viver!


Isabel Branco

Minha 5ª Sinfonia; Esta Verdade Lisboa - Pedro Bandeira Freire



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DIZER POESIA

41º Programa: PEDRO BANDEIRA FREIRE - Minha 5ª Sinfonia; Esta Verdade Lisboa; (e o Meu - Gaivota Morta...)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

Transmitido na RDP Internacional a 08 de Julho de 2011.