terça-feira, 12 de julho de 2011

Sonhei contigo...






Meu amor, minha vida,
minha estrela inatingível
inegualável no universo,
meu mágico violino
de acordes sublimes,
sonhei contigo...

Sonhei que, juntos no firmamento,
era nossa a melodia
e a nossa luz um novo brilho...

Nossa cama tinha um manto
rendilhado a ouro, prata e outras pedrarias
que nos cobria a nudez...
Era o manto da noite,
manto de lua e oceano
e tantas, tantas, outras estrelas...

Num afago de mar,
a cálida brisa brincava despenteando
anéis loiros dos nossos cabelos,
a branca espuma das ondas
enrolava-se na areia fina
num lânguido sussurro enamorado...

Nas mãos que nos dávamos
no húmido e quente beijo
que nossas bocas unia
éramos estrelas cadentes
ao som de quatro exímias cordas,
(noite, lua, brisa e mar),
em mirabolante serenata
dum enlouquecido Stradivarius
num genial concerto de Paganini...


Isabel Branco

segunda-feira, 11 de julho de 2011

No Infinito do Ser




Do infinito do querer
quis ter e parecer.
Porém, bastou-me o sentir
e o deixar, simplesmente, fluir
momentos de alegria
entre a realidade e a fantasia,
instantes intensos ainda que fugazes
e sonhos, sonhos loucos e audazes...
No verso e no reverso
tanto me foi adverso,
nos pensamentos e sensações
no à flor da pele das emoções.
No balanço das contas final,
no mais profundo do espirito e do sensual
onde a alma e o corpo comemoram,
e no íntimo se demoram,
nesse infinito do ser
quis saber e soube viver!


Isabel Branco

Minha 5ª Sinfonia; Esta Verdade Lisboa - Pedro Bandeira Freire



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41º Programa: PEDRO BANDEIRA FREIRE - Minha 5ª Sinfonia; Esta Verdade Lisboa; (e o Meu - Gaivota Morta...)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

Transmitido na RDP Internacional a 08 de Julho de 2011.

domingo, 10 de julho de 2011

JÁ...


(Imagem da Net)



Já tive medos que desconhecia,
já andei por caminhos que não queria,
já ganhei coragem e não sabia...

Já menti e não me arrependi,
já amei, chorei e sofri,
já fui amada e não esqueci...

Já andei descalça e tão feliz,
já trepei às árvores quando petiz,
já quebrei o queixo e o nariz...

Já deixei a minha terra,
já ultrapassei a fome e a guerra,
já a tristeza no meu peito se encerra...

Já resoluta parti e determinada voltei,
já por meus moinhos lutei,
já insisti, perdi e perdoei...

Já fui princesa e namorada,
já gritei quando calada,
já tive tudo e não tenho nada...

Já disse adeus um dia,
já sonhei a cores a utopia,
já magicamente me invadi de poesia...

Já seduzi caprichosa,
já errei de tão teimosa,
já me vesti e despi ousada e vaidosa...

Já fui praia, campo, cidade,
já menina e moça vi desfilar a mocidade,
já morri de dor e saudade...

Já sufoquei rancor dentro de mim,
já escolhi um amor sem fim,
já plantei uma flor e fiz um jardim...

Já escrevi livros e uma ou outra canção,
já li e reli páginas e páginas de emoção,
já mulher conquistei o mundo e mãe abraçei o Verão...

Já me tenho perguntado, que mais me falta fazer?
Já cheguei ao antes quebrar que torcer?
Já só me faltará morrer?

Resta-me minha estrada continuar...
Resta-me viver e serena acreditar...
Restas-me tu, resta-me o (a)mar!


Isabel Branco

Foi-se a saudade embora...





Foi-se a saudade embora
na dor que para trás deixou.
Simplesmente, nunca amou
e saudade não é agora...

Na demorada solidão
onde o silêncio impera
escuta melhor o coração
que a angústia supera.

Se até a tímida flor
nasce das pedras da calçada
também tu, meu amor,

trazes na boca calada
versos primos com o sabor
duma vida desperdiçada!


Isabel Branco

sábado, 9 de julho de 2011

Águas





Partindo...lá vamos a navegar
nas velas soltas da imaginação...
Águas ... sejam rio, sejam mar,
do olhar nossa contemplação!

Doces águas por onde me levais?
Amarras a que me prendeis?
Águas salgadas que chorais
ondas que de meus olhos vereis...

Águas..., nuvens, presságios,
viagens, emoções que bebo
nas mágoas dos meus naufrágios.

Cachoeiras que, em mim, percebo
desenganos, fontes, apanágios,
brancas águas que hoje escrevo...


Isabel Branco

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Aguarela




Foram orquídeas, foram rosas...
Pétalas de tantas flores
que num braçado de cores
me ofertastes tão formosas.

Delas perservo o cheiro
e na memória o encanto,
minha alegria, meu pranto,
amor que foste o primeiro!

Pintei-as numa aguarela
com breves salpicos de mar
e um sol d’oiro a brilhar.

Emoldurei-a como janela
dessa lembrança singela
da conjugação do verbo amar...




Isabel Branco

Que ridículo...




Que ridículo
dar ao texto a volta,
comer o bolo,
ir directa ao assunto,
sair da frente,
fazer uma plástica...

E, de repente,
atirar para o chão
frases feitas
de pastilha elástica
ou pensamentos empacotados
em caixinhas de alumínio.

Aos sinais de fumo
num ula-ula
gesticulado e frenético
que ridículo
baixar a guarda,
beber a cerveja
sorvendo-lhe apenas a espuma
e, ao saborear da cereja
engolir o caroço
cuspindo a vermelhidão
do fruto proibido.

Que pouco ético,
que ridículo
envergar a farda,
dançar o tango
sem brio, sem aprumo...

Que ridículo
o descer do corrimão,
patamar a patamar
e sorridente ultrapassar
a lâmina aguçada
ao final da linha...

Uhmm...que arrepio
e que simultâneo fascínio!

Que ridículo
patinar no gelo
descalça até ao osso
e, delicadamente,
em vénia: a pirueta,
a reviravolta...
as palmas, a exaltação,
o obstáculo vencido...

Que ridículo
o gatafunhar das entrelinhas,
o virar da página
da história por escrever
duma gigantesca abóbora
em carruagem transformada,
duma formosa Cinderela
em Gata Borralheira transformada.

Que ridículo...
O espatifar da vítrea pipeta
em constante e aflitivo apelo;
o murmurar do silêncio,
a ulcerosa ferida
a cada espinho duma rosa amarela...

Que ridículo,
o ridículo das cartas de amor
não escritas
no frenesim dos minutos marcados
a cada passagem de lua,
a cada promessa de mar;

Que ridículo,
ao piar das corujas,
o acordar e adormecer,
insolentemente,
dos sonhos inacabados...


Isabel Branco

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Existe um rio





Existe um rio azul
serpenteando a sorte.
Nasce sinuoso a norte
e calmo desagua a sul.

Tece-me de enganos
a frescura das margens
e na fotografia das imagens
é a sépia que ficamos...

Corre, corre desvairado
esse rio até ao mar
em azul sal transformado!

Ao poente, a naufragar,
morre um sonho embalado
nas ondas do meu palpitar!




Isabel Branco

domingo, 3 de julho de 2011

Sanguinidade


Cupido (Eros) e Psiquê - António Canova

Corre-me velho nas veias
um liquido cansado, pastoso,
vermelho, igual na euforia
e na definida solução...
Sangue, linfa e rótulo
que à vida me vincula
e num percurso silencioso
me envelhece e disforma.
Perante a demonstração
no ADN da sanguinia alquimia,
em enigma sinuoso,
nos perpetua e identifica.
Dos genes apóstulo
a objectiva verdade formula:
em cruel e triste forma
em absoluta consanguinidade
nos incesta as ideias,
o corpo, a alma e, em algoz agonia,
nos aparta em negação
desse amor que nos petrifica,
infinito, sem limite, sem idade...


Isabel Branco


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Angélico







Jaz morto o menino de sua mãe...
Menino lindo de olhar doce,
corpo esbelto, música na voz,
ritmo e sensualidade em cada poro,
jovem traído pela vida
a meio da sua estrada...
Calou-se, para nós,
angélico seu coração!
Sua alma sã voa agora embalada
nos sons diferentes que nos trouxe
estrela deste ou doutro firmamento...
Menino anjo de sua mãe,
num adeus sem despedida,
ganhou asas e dimensão...
Jaz morto! Por ele choro,
filho amado e palco
de tantas outras mães...

Isabel Branco

terça-feira, 28 de junho de 2011

Poesia...




A poesia nasce, brota...
semente lançada ao vento
em asas de cor
e chilreio de passarinho...
Cresce, cresce devagarinho
girassol em flor
na seara do pensamento,
manacial que se não esgota...

Bailado de gaivota
em azul deslumbramento
abre rumos de amor
apontando-nos o caminho...
Poesia, vem e vai de mansinho
alma, agitação, rubor
que a lúcida magia do momento
a tinta ao papel devota...

Isabel Branco

Perfume; Rivais; O que não disseste - António Correia de Oliveira



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39º Programa: ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA - Perfume; Rivais; O que não disseste; (e o Meu - Este estar)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

Transmitido na RDP Internacional a 24 de Junho de 2011.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Saudade de ti - Tony Carreira




"Eu bem sei, que nunca mais pensaste em mim
Como vou e como estou depois de te perder
Também sei mesmo a viver morri pra ti
E o meu nome já mais voltaste a dizer

Eu bem sei, que nunca mais falaste em nós
Do que foi e do que fiz um dia por nós dois
Também sei, que sou silêncio em tua voz
E só Deus sabe, só Deus sabe como eu estou

Refrão

A Saudade de ti tomou conta de mim e me mata por dentro
Esta falta de amor nunca me abandonou desde que eu te perdi
A cor da solidão pintou o meu coração de mágoa em sofrimento
E assim é o meu viver nesta dor sem esquecer quem se esqueceu de mim

Eu bem sei, que nunca mais pensaste em mim
Se estou só, ou como tu até tenho outro amor
Também sei, que a minha vida já nada te diz
Só Deus sabe, só Deus sabe como eu vou

Refrão 3x "

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Voltas




São voltas e voltinhas
as voltas que a vida nos dá.
Por vezes, revoltas minhas,
nas voltas no lado de cá...

Entre voltas e reviravoltas
passa o tempo a correr.
Sobram tantas pontas soltas
e tanta vida por viver...

Serão punições? Serão castigos?
As andanças indesejadas
que nos roubam dos amigos??!!...

Entre as almas sublimadas
não pode haver fim, nem perigos,
mas mudas e breves voltas caladas!!!

Isabel Branco

Nova, nova, nova, nova...; Escrever; Jeito de Escrever - Irene Lisboa




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38º Programa: IRENE LISBOA - Nova, nova, nova, nova...; Escrever; Jeito de Escrever;(e o Meu - Que Importa...)

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

Transmitido na RDP Internacional a 17 de Junho de 2011.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Acreditar


(Pintura de Mahir Ates)

Acreditamos em algo...
Em alguém...
Numa entidade superior,
numa força divina,
num amor, numa voz interior!

Acreditamos em algo...
Em alguma coisa
porque existimos
e nos é imperioso acreditar...

E acreditando, acreditamos!

Acreditamos na árvore que floresce
e frutifica...
Na estrela, no mar, na colina,
no arco-íris, na bonança anunciada...

Acreditamos na vida, na criança
que do mistério nasce,
e, até, na injusta morte
que nos purifica e renasce.
Acreditamos no sonho, na esperança
e embarcamos no barco a remos
do nosso acreditar.

Remamos...remamos
a favor e contra a maré...
pois acreditamos...
e acreditando temos fé!

Mas, se de repente,
de ventos em mudança,
o sol na praia declina,
o rosto, o corpo já não ilumina...
A alma arrefecida,
essa alma inteira que demos,
incrédula petrifica devagar...
E em nada, em ninguém
quer de novo acreditar!


Isabel Branco

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cardo Negro




Passado o absoluto espanto
das primas horas de incredulidade
engasgadas ainda as palavras
morrem-me na garganta
inúteis, gastas, amargas...
Baralham-se na mordacidade
e, em bêbado azedume,
calam o mudo canto
que o silêncio tem para embalar...

As mil janelas partidas
nas frestas do meu olhar,
em absurda dolência
perdem-se nos rumos do mar...
As faces pálidas, descoloridas
espelham a dor ao lembrar
e grossas lágrimas sentidas
em incontrolada cadência
teimam oceanos navegar...

Ah!!! Venenosa planta
esta estranha forma de amar...
Ah!!! Vã consciência,
cardo negro a aflorar...
Oh!!! Incontrolável desejo
de, uma vez para sempre,
dentro de mim te matar!!!
Oh!!! Perfeita sintonia
entre o que quero e o que almejo

e esta vontade de vomitar!...


Isabel Branco