segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cais dos meus lamentos...


(Imagem da Net)


Vejo partir todos os barcos,
todas as pequenas faluas
deste meu Tejo abandonado...

Vejo rasgadas as mil e uma bandeiras,
a meia haste, para mim, hasteadas
neste meu mar tenebroso, irado...

Sabem-me os lábios ao sal
das lágrimas, em vão, choradas
gaivotas das esperas derradeiras
nas amarras do medo poisadas.

Vejo o breu, sem estrelas, sem luas
e nas tuas íris coloridos arcos
deste meu estar desassossegado.

Vejo floridas as esperanças primeiras
nas incandescências inesperadas
desse teu jeito silencioso e calado...

Sabem-me a fel, a bílis...(tão mal...)
as horas neste cais desperdiçadas,
musas... da desdita companheiras,
nas ondas dum adeus levadas...

Isabel Branco


Motivo e Não te Fies do Tempo Nem da Eternidade - Cecília Meireles



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DIZER POESIA

9º Programa: Cecília Meireles - Motivo e Não te Fies do Tempo Nem da Eternidade

http://tv.rtp.pt/multimedia/progAudio.php?prog=3273

Transmitido na RDP Internacional a 26 de Novembro.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

An(coragem)




Caos, tormenta, dor,
um largo e vasto oceano...
Meu Cabo Bojador
em frágeis velas de pano...

Âncoro na ilha azul
da coragem dos sem medo,
desbravando terras a sul,
expondo a nu meu segredo.

A riqueza encontrada,
lábios de seda e mel
em minha boca insaciada

e o galante corcel
da tua presença amada,
escondo em versos de papel!


domingo, 10 de outubro de 2010

Amar-nos-emos





Um dia inesperado,
em qualquer hiato do tempo,
voltaremos a estar juntos...
e dar-nos-emos um ao outro
como ciosos desejamos fazê-lo...
Amar-nos-emos,
com gatos esfomeados
em telhados de zinco quente...
Amar-me-às...
Amar-te-ei...
Húmus, unos, inseparados,
siameses e para sempre.
Não nos sobraremos...
Ah!...meu amor, e nesse dia,
amar-nos-emos
ainda que defuntos...


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dizer Poesia




DIZER POESIA - Isabel Branco - na RDP INTERNACIONAL - às sextas-feiras, às 00.30h; 14.30h e 23.13h... 5 minutos para ouvir e sentir!

Os autores lusofonos na RDP Internacional.«Dizer Poesia» é um programa onde se dará a conhecer, os poetas lusófonos, através dos seus poemas e onde a autora, Isabel Branco, trará um dos ...seus poemas a cada programa.



terça-feira, 14 de setembro de 2010

Terra - esse planeta maravilhoso


Baixe o som da Rádio Nostalgia (no final da página) para melhor ouvir este video.


Este planeta maravilhoso que nos cabe cuidar precisa da atenção de cada um de nós para continuar a existir.



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A Rima Mais Bonita - do álbum Tantas Lisboas

A Rima mais bonita - do álbum Tantas Lisboas, na voz de Marco Rodrigues.

Para além da interpretação, este fado tem uma letra lindíssima ...da autoria de Tiago Torres da Silva

"Cansei-me dos poemas que escrevi
mas não tive coragem de os rasgar.
São versos, meu amor...falam de ti
mesmo que, às vezes, finjam não falar.

São versos, meu amor...falam de ti
mesmo que, às vezes, finjam não falar.

O Fado quando chegou à noitinha
ficou todo contente por me ver.
Pediu-me versos novos e eu não tinha,
rasguei-os antes mesmo de os escrever.

Pediu-me versos novos e eu não tinha,
rasguei-os antes mesmo de os escrever.

Agora quando o Fado me visita
já trás poemas feitos de tristeza.
Cansado, escolhe a rima mais bonita,
e deixa-a esquecida sobre a mesa.

Cansado, escolhe a rima mais bonita,
e deixa-a esquecida sobre a mesa.

Então, chega a saudade e eu regresso
às quadras que não tinha terminado.
São versos, meu amor, quando os começo
mas assim que os acabo já são Fado.

São versos, meu amor, quando os começo
mas assim que os acabo já são Fado."




Tiago Torres da Silva



Para melhor ouvir este video, baixe o som da Rádio Nostalgia no final da página




Marco Rodrigues

Marco Rodrigues - fado novo a 13 de Setembro
16-08-2010
«Tantas Lisboas» é o título do disco de Marco Rodrigues. As colaborações de Carlos do Carmo, Mafalda Arnauth, Boss AC e Inês Pedrosa constituem alguns dos pontos de fortes deste registo. O álbum está disponível a partir de 13 de Setembro.
Até aos quinze anos, Marco Rodrigues – que vivia em Arcos de Valdevez – apenas sabia que existia um género musical chamado fado e que a sua maior diva era Amália Rodrigues. Mas, quando vem para Lisboa com a mãe, o fado entrou-lhe pela vida dentro sem pedir licença. Foi a figura materna que o incentivou a concorrer à Grande Noite do Fado, no Coliseu de Lisboa, que Marco venceu e, apesar dos seus tenros 16 anos na altura, já na categoria de Sénior. Poucos meses depois, Marco Rodrigues estreou-se como profissional no Café Luso – onde ainda é fadista e violista residente para além de acumular estas funções com a de director artístico da casa.

Agora, depois de “Fados da Tristeza Alegre” (2006), o fadista Marco Rodrigues prepara-se para editar o seu segundo álbum, “Tantas Lisboas”, através da Universal Music Portugal e com edição prevista para 13 de Setembro. Um álbum que tem como convidados Carlos do Carmo e Mafalda Arnauth e entre os compositores e letristas Tiago Machado, Boss AC, Tiago Torres da Silva e Inês Pedrosa.

“O meu álbum”, diz Marco Rodrigues, “não tem só fado nem tem só instrumentos de fado. Eu canto fado, vivo do fado mas não estou (apenas) no fado”. “Tantas Lisboas” apresenta alguns clássicos – como o lendário “Fado do Estudante” (interpretado por Vasco Santana no filme “A Canção de Lisboa”) – e muitos originais, incluindo dois temas com música composta pelo próprio Marco Rodrigues. Aliás, neste álbum Marco Rodrigues – e tal como acontece muitas vezes ao vivo – acompanha-se, também, à viola.

A cidade de Lisboa está presente, naturalmente, em muitas canções do álbum. De todas elas, destaca-se “O Homem do Saldanha”, um dueto com Carlos do Carmo, com letra de Boss AC e música de Tiago Machado. Com Mafalda Arnauth, Marco Rodrigues canta “Valsa das Paixões”, que tem letra de Tiago Torres da Silva e, igualmente, música de Tiago Machado. Este foi o primeiro tema retirado do álbum e já marcou presença na novela da TVI, «Mar de Paixão», e que roda na Antena 1 e Rádio Amália, bem como a canção «A Rima Mais Bonita».

«Tantas Lisboas» disponível a 13 de Setembro.

http://www.universalmusic.pt/


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Embondeiro





Menino de cabelos loiros
plantaste no meu coração
uma semente de embondeiro,
um amor centenário...

Cresceu para teu abrigo
uma árvore colossal,
Nela, sedento, mitigas a sede,
repousas e partes...

É a tua sombra!
Teu sangue, tua fonte...
Tua terra, teu chão...
Teu eterno companheiro...

E, no entanto, de braços abertos,
o triste e velho embondeiro
todos os dias assiste solitário
ao sol que nasce e morre
cobrindo de oiros
o trágico azul do horizonte...

Num silêncio derradeiro
morre devagar... morre
esquecido e vertical,
teu ardor primeiro,
teu santuário e jazigo
d'amantes secretos...


Isabel Branco