(Imagem da Net)
Já não há o antes ou depois.
Há o apenas e agora.
Os livros que não li
ficaram no outrora,
na estante do nunca,
do quem sabe, ou do talvez.
Os que saboreei e reli,
sem dúvida nenhuma,
o e, o mas, o porém,
o momento, a hora,
abertos sobre a mesa,
contam, um a um, por sua vez,
a história que, sem demora,
principia no fim e, sem desdém,
se finda no se
ao qual estou presa
sem causa ou razão alguma.
Já não há o antes ou depois.
Há o apenas e agora.
Já não és tu, já não sou eu,
nem nenhum ou nada de nós dois.
São as esperanças arquivadas,
penduradas em panfletos.
As palavras escusadas
são nos dicionários esqueletos.
Já não há o antes ou depois.
Há o apenas e agora.
Apenas um silêncio que me devora
agora que o contexto se desvaneceu.
Apenas um Inverno gélido que incomoda,
depois dum reencontro inesperado,
antes da partida anunciada,
agora o clímax, o auge, o apogeu.