quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Não sou daqui...


(Imagem da Net)


Não sou daqui...

Vim do Longe,
do Ontem
que Amanhã há-de provir.

Esmoreço, por aqui...

No meu hábito de monge
a ninguém, a nada
me identifico.

Areia doutro mar,
embruteço, petrifico
no tempo sem idade,
incapaz de mudar...

Bicho doutro mato,
sol doutra selva,
em lúcida identidade
vagueio plena do acto...

Inócua, desenraizada,
humana me ramifico
e me entrelaço na cidade
pelas lianas do ali...

Ato e desato
o presente sem vacilar!

Não!...
Não sou daqui...

E, fico...

Fico
na louca vontade de partir,
cheirando além,
a rosas, a relva,
ao lírio branco
do recomeçar...


6 comentários:

José disse...

Simplesmente lindos...

Dificilmente nos enganámos, quando conseguimos sentir o potencial manifesto de alguém, sobretudo se, na sua essência, algo nos é igual ou próximo. Neste caso, poesia... Neste caso, Mulher Poema...
Beijocas

Isabel Branco disse...

Olá José

Quase me atrevia a chamar-te outro nome, cuja 1ªa inicial é um C.
Não me parece necessário pois, essa denominação de "Mulher Poema" confirma-me com quem falo.
E, imodestamente, gosto...gosto muito desse atributo porque o sinto e se encaixa na minha visão das coisas. Obrigada "chicoronho" e um beijinho.

José disse...

Olá, Maria Isabel!.
Pois é, querida amiga,atrevias-te muito bem, pois foi mesmo só para te confundir...BOM CARNAVAL!
Beijocas de um "chicoronho"

Tétis disse...

Olá Isabel

Mais um lindo poema.

Em "Não sou daqui..." dá para entrever um pouco as tuas raízes e o sentir que na realidade és "bicho doutro mato...", "sol doutra selva...", apesar de te entrelaçares na cidade "pelas lianas do ali...".

Adorei!...

Beijinhos

Isabel Branco disse...

José

Há expressões que caracterizam e identificam os amigos.

Um beijinho.

Isabel Branco disse...

Tétis

Sim...não sou realmente daqui.

Meu mar é do lado de lá...
das bandas do sol nascente.
Minha saudade sabe a maracujá
e a beijos de terra quente...

Um beijinho.